Espaço do atleta: relato de Raphael Pazos na Meia Maratona de Nova York

“Não sei nem por onde começar a elogiar a Meia Maratona de Nova York. Posso lhes afirmar que essa é uma das provas que, sem dúvida, faço questão de indicar a todos os amantes do atletismo. Vou tentar repassar para vocês através deste relato e de algumas fotos a minha enorme satisfação em ter participado desta corrida de rua tão organizada e estruturada, capaz de atender a qualquer corredor, independentemente de sua nacionalidade, idade ou com alguma deficiência física com toda a presteza e o respeito que exigimos ao pagar US$ 150  (preço cobrado dos corredores estrangeiros que foram sorteados) ou então USD 200 para aqueles que compraram diretamente (sem correr o risco de não ser contemplado no sorteio) através da agência oficial desta corrida no Brasil, a Kamel Turismo.

Como escrevi acima, acredito que as palavras mais adequadas para definir e qualificar essa prova são RESPEITO e PROFISSIONALISMO.

O comprometimento dos organizadores da Meia Maratona de NY com os atletas é inquestionável e, sem dúvida, vale todo dinheiro gasto com a inscrição, passagem aérea, hospedagem e alimentação. Isso mesmo, não se iluda, quando nos inscrevemos numa competição internacional estamos praticando o turismo esportivo e nossa avaliação da prova não se limita apenas ao dia da corrida e sim desde o dia que pisamos em solo estrangeiro até o dia de nosso regresso a vida normal.

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Atletas correm no entorno do lago do Central Park com temperatura de aproximadamente 5 graus. Arquivo pessoal

Nos dias que antecedem a corrida, a cidade de Nova York se transforma em um centro de treinamento ao ar livre onde em cada esquina esbarramos com alguém, ou grupo, treinando tanto para reconhecer o percurso da prova quanto para se aclimatar com temperaturas abaixo de 5 graus !!! Isso mesmo, nessa época do ano em NY, a primavera é fria e chega com ventos congelantes de cortar a alma e, em minha opinião, esse é o principal ponto em que os atletas devem tomar cuidado. Neste ano, fui testemunha de vários atletas com hipotermia.

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Atletas correm no entorno do lago do Central Park com temperatura de aproximadamente 5 graus. Arquivo pessoal

Sobre a entrega de kits, fiquei muito satisfeito com a agilidade na entrega  que foi dividida em 3 dias (quinta, sexta e sábado). Como chegamos em NY na quinta-feira (17/3), eu, minha mulher Juliana (grávida de 5 meses do Heitor) e minha pequena Sophia, de 4 anos, logo após realizarmos o check-in em um dos hotéis oficiais da prova (detalhe: o percurso da corrida passa literalmente na porta do hotel localizado na 7ª avenida) fomos de metro direto para a Expo localizada no Metropolitan Pavilion. Ao chegar lá, pegamos em 10 minutos o kit, contendo o número de peito e uma camisa da prova de excelente qualidade.

Em seguida fomos ver as novidades das lojas que estavam expondo seus produtos na Expo com descontos de até 60%. Nela os participantes da Meia Maratona poderiam adquirir a camisa oficial de finisher, assim como gel, roupas esportivas, bonés, viseiras e lembranças diversas da Meia Maratona de NY. Ou seja, é notório a existência de um trabalho forte de marketing sobre a marca da Meia Maratona que neste ano teve como seu principal patrocinador a empresa aérea United Airlines. Ainda sobre o marketing, a utilização das redes sociais (facebook e instagran) era maciça através do hastag #unitednychalf . E por fim, além de todos esses canais de comunicação, os corredores tinham a sua disposição um aplicativo que, além de transmitir a corrida ao vivo, fornecia todas as explicações e informações do evento, possibilitava que os parentes e amigos pudessem rastrear os corredores durante toda a competição. Foi justamente esse aplicativo que permitiu, por exemplo, que minha mulher e filha não ficassem congelando a minha espera ao passar pela porta do hotel. Este aplicativo, além de minha localização, informava o meu pace e com isso elas puderam ficar aguardando no lobby do hotel tranquilamente tomando um chocolate quente até a minha passagem em frente ao hotel. Show. Era justamente essa motivação que eu precisava para continuar na prova, ver minha esposa e minha filha segurando um cartaz (fornecido na expo) com um desenho feito por ela no dia anterior.

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Cartaz de Sophia para incentivar o pai Raphael na Meia Maratona de Nova York. Arquivo pessoal

Esse ano a largada foi dividida em 3 ondas de acordo com o tempo previsto de prova fornecido pelo próprio atleta no ato de sua inscrição. Isso permitiu que os 30 mil corredores nao largassem ao mesmo tempo garantindo assim uma melhor perfomance para todos. Minha largada foi a primeira (wave 1) prevista para as 7:30am e as demais ocorreram num espaço de 30 minutos de diferença cada. Sai do hotel as 6h15m e fui trotando para a largada (impossível ir andando devido a temperatura de 1 grau). Cheguei às 6h30m no Central Park para deixar a sacola com roupas secas e fui para a única entrada do Central Park que era permitido o acesso apenas dos atletas inscritos. Todos passaram por detectores de metal e grande parte foi vistoriada por policiais do forte esquema de segurança. Impressionante.

Às 6h50m já estava dentro da minha wave e não parei de me movimentar, pois realmente o frio seria um inimigo nesta batalha. Até que … bateu aquela vontade de ir ao banheiro (rs). Fui a procura de um banheiro químico e mais uma vez para minha surpresa, além dos banheiros químicos, os banheiros públicos do Central Park estavam abertos e à disposição dos atletas, todos limpos, com papel higiênico e, pasmem, AQUECIDOS. Foi a minha salvação, pois mesmo em movimento e com luvas, minhas mãos estavam congelando. Fiquei dentro do banheiro por aproximadamente 30 minutos até começar a ouvir o hino nacional americano, que indicava que a largada seria dada em breve. Nesse momento, retornei ao meu local e junto com os demais atletas ouvimos o hino nacional.

E foi dada a largada. Em alguns trechos dos 21km parecia que eu estava num show. Várias bandas animaram os corredores durante a prova e centenas de pessoas aplaudiam e incentivavam os corredores, principalmente quando descemos pela 7ª avenida em direção à Times Square. Sensacional a vibe. Bom, em relação à estrutura da prova, como disse no início desse relato, só elogios. Percurso totalmente gradeado, isotônicos, água e gel à vontade para todos os corredores e muita, mas muita motivação e ajuda das pessoas que se candidataram a ser voluntários nessa prova. Aliás, no dia da entrega dos kits fiquei impressionado com o tamanho da fila para o cadastramento dos voluntários! (Como disse, a cidade e todos os cidadãos americanos estão super envolvidos com a realização da meia maratona).

E no final não poderia ser diferente, equipe médica a postos e staffs super solícitos na entrega das sacolas com os pertences deixados no início da prova. Após pegar minha sacola (já com um cobertor térmico nas costas entregue pela organização), me dirigi a um posto médico, pois suspeitava estar com principio de hipotermia e lá fui prontamente atendido, pude trocar minha roupa molhada da competição pela seca da sacola e ainda ganhei um delicioso chocolate quente.

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Raphael Pazos comemora a conclusão da Meia Maratona de Nova York. Arquivo pessoal

 Ah sim! E a medalha!? Bom, como dizem, uma imagem vale mais do que 1000 palavras.

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Medalha da Meia Maratona de Nova York. Arquivo pessoal

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Abraços e bons treinos a todos. Keep running, Raphael Pazos Pereira e Equipe Marcia Ferreira de Triathlon.

2 comentários Adicione o seu

  1. Plínio Luiz Nogueira disse:

    Esse ano 2016 fiz a Meia de Floripa em 2h39’18”. Pretendo correr a Meia de NY em 2017, abaixo de 2h30′ com os meus 64 anos, quase 65 pois faço aniversário em maio…hehehe…Vamos treinar e focar na Meia de NY. Abraços Plínio Nogueira, São Paulo.

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