Espaço do atleta: relato de Inge Vdzee na Zion 100km nos EUA

“Que experiência! Correr 100k pela primeira vez dá um frio na barriga! O não saber o que vem pela frente, de como o corpo irá se sentir, o medo de não ter forças para terminar …

Mas estava muito bem preparada para a ultramaratona Zion, no Zion National Park, no estado de Utah, nos Estados Unidos. Foram 4 meses de muita musculação, planilhas exaustivas preparadas pelo coach Manuel lago, e muitos cuidados com a alimentação.

A prova largou as 6h no escuro e bastante frio. Logo no início já pegamos a primeira subida muito íngreme. Chegamos ao topo do canyon já com o dia claro. Correr por cima do platô é incrível; as trilhas que passavam bem na beirada e dava nervoso porque o paredão para baixo parecia infinito. Ai veio a primeira decida, muito técnica e difícil para mim. Cai várias vezes e perdi muitas colocações. Depois começou um estradão de terra, subindo suavemente até o segundo platô . No final da subida encontrei com Manuel Lago já descendo.

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Inge Vdzee

Quando cheguei no posto de controle, encontrei meu amigo Flavio também já iniciando a descida. Conversamos um pouco e segui em frente. Depois de mais uns quilômetros em cima do segundo platô,  encontrei o Toninho e o Breno, que estavam correndo as 100 milhas (160km). Muito guerreiros! A descida era pelo mesmo caminho, o que me ajudou porque corro bem em estradões. Passei muitos corredores.

Ai veio a terceira subida. Essa sim doeu. Era muito íngreme. Colocaram até cordas para ajudar a subir (escalar) pela terra solta e muita pedra. Quando cheguei em cima tinha um posto de controle, estava com 52km e o cansaço bateu. Acabei me juntando com duas mulheres, uma dos 100km e outra das 100 milhas. Fomos juntas revezando para dar o ritmo. Uma dando força para a outra para continuar em frente.

Quando voltamos ao posto de controle já com 70 km, começou a chover. Resolvi descer logo e me despedi das companheiras. Que aventura. Com a chuva, a terra vermelha vira um
barro escorregadio e que gruda na sola… o tênis vira um tamanco. Dai em diante fiquei sozinha até o final. Corri forte porque fiquei com medo das trovoadas. Quando cheguei no último posto de controle, já não chovia e escureceu. Me deram sopa, que foi uma injeção de ânimo. Coloquei o headlamp e segui. Estes últimos 12km foram, com certeza, os mais difíceis. Não enxergo bem no escuro. O primeiro pedaço era por uma trilha que beirava uma ribanceira, as fitas de marcação demoraram muito para aparecer, o que me dava a impressão de estar perdida. Me assustava com os olhos dos coelhos que pareciam ETs no escuro, mas finalmente cheguei após 16h25m50s.

Que momento único! Quando vi o Manuel na linha de chegada, quase chorei! Ele me abraçou e me levou para perto da fogueira. Minhas mãos estavam muito inchadas. Acho que foi do frio. Vagner (professor da ML também) me ajudou a colocar roupa seca e
me forçaram a comer uma pizza vegana quentinha, . Cheguei meio desnorteada, não conseguia pensar direito. Eram muitas emoções ao mesmo tempo!  Agora planejar o próximo desafio! Este me deu gostinho de quero mais!!”

Inge Vdzee

 

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