O novo desafio do ultramaratonista Márcio Villar: lutar pela própria vida

No próximo dia 30, o ultramaratonista Márcio Villar promove mais uma corrida solidária, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, para arrecadar leite em pó para o Instituto Nacional do Câncer (Inca), com uma expectativa de conseguir mais de 5 mil unidades (latas ou refis), o que seria um recorde. Mas, diferentemente das outras ocasiões, o recordista mundial de corrida em esteira não vai correr o tempo todo – na última edição da ação, em março, Villar correu 100km entre 7h e 18h. Acometido de uma doença autoimune, a arterite temporal juvenil, ele só está liberado para, em um leve trote, correr os 7,5km finais, a partir das 17h.

– Meu médico só me liberou para dar uma volta, e ele vai ao meu lado. Mas, graças aos amigos, a corrida solidária vai acontecer. Estarei no Parque dos Patins recepcionando as pessoas que irão participar – afirma Villar, que convida as pessoas para estarem no Parque dos Patins entre 7h e 18h, levando duas latas ou refis de leite em pó.

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Márcio Villar durante seus nove dias de internação

Villar conta que começou a sentir uma forte dor de cabeça do lado esquerdo, como se uma faca estivesse entrando na minha têmpora  esquerda, e moleza quando estava visitando seu padrinho na cidade de Palmas, no interior de Minas Gerais, no dia 9 de abril. Depois de tomar um  analgésico e dormir de 16h às 5h do dia seguinte (“nunca dormi tanto”), ele resolveu voltar dirigindo para o Rio, pois já estava se sentindo melhor. Como não melhorou e achava que pudesse ser zika, chikungunya ou dengue, ele procurou, na segunda-feira, um hospital na Barra. Os médicos fizeram exame de sangue para ver a quantidade de plaquetas, que estavam baixas. Dois dias depois, ele retornou e as plaquetas já estavam normais.

Como a dor de cabeça não passava, ele procurou o médico Fabrício Braga, na Casa de Saúde São José e lá ficou nove dias internado fazendo vários exames, como ressonância magnética, tomografia, eletrocardiograma, eletroencefalograma e punção. Estava tudo normal, mas o exame de sangue dava que havia uma infecção. Somente após uma biópsia é que foi diagnosticada a arterite temporal juvenil.

– Me senti naquele seriado “House”. Era para só para fazer um exame e acabei ficando nove dias internado – diz Villar, rindo. – Quando fizeram a biópsia da artéria é que descobriram qual era o problema e retiraram 4 centímetros da artéria. Segundo soube, há 50 casos semelhantes no mundo. Essa doença não tem nenhuma relação com a corrida, Se tivesse, seria por causa das loucuras que já fiz. Mas não é o caso. Agora, vou ter que fazer um tratamento de cerca de nove meses, tomando medicamentos a base de corticoides. Com isso, não posso mais correr este ano. Sei que vou engordar, perder o condicionamento, mas preciso lutar pela minha vida.

Diante da impossibilidade de correr, o projeto de ir do Rio a Salvador, numa distância de 1.600km, fazendo duas maratonas diárias, que teria início no dia 29 de maio, foi adiado para 2017.

– Quando soube que não poderia correr, chorei muito. Me perguntei por que eu? Mas como sempre tive uma força mental muito forte, já mudei de atitude e vou mostrar para essa doença que ela escolheu a pessoa errada – afirma Villar, confiante. – O meu desafio agora é pela minha vida e eu sei que vou ganhar. Não me imagino longe das corridas.

Villar já voltou a fazer atividades físicas leve. Já caminhou quatro quilômetros no Bosque da Barra e pedalou pela orla do recreio e da Barra durante 1 hora e 30 minutos.

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Villar e o jabuti no Bosque da Barra

– Na caminhada, estava na velocidade de um jabuti. E o  médico já chamou minha atenção por ter pedalado muito – ri o ultramaratonista, que continuará ministrando suas palestras.

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