Espaço do atleta: relato de Flávio Loureiro nos 70km da APTR Videiras

“Deus me deu outra chance de voltar a correr, de continuar acreditar nele e em mim e fazer as corridas que amo fazer, principalmente as ultras, que testam toda nossa coragem e vontade de vencer os nossos limites. Voltei a treinar em janeiro, depois de dois meses parados após um susto em novembro, no qual os médicos acharam que eu tivesse tido uma isquemia cerebral no dia seguinte de uma corrida.

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Os treinos foram longos e muito cansativos. Treinos de 35, 45 e 55km no meio do mato, subindo e descendo muitos morros com muito, mas muito sol. Tive apoio da minha esposa, amigos e treinador, que, diga-se de passagem, desde que voltei se preocupou sempre comigo.
Enfim chegou o dia e eu faria 70km na APTR Ultra de Videiras, prova muito dura, devido a grande montanha que teríamos pela frente e um percurso com muita subida no meio das trilhas.
Largamos às 5h, noite ainda, e fomos para mais um desafio. Corri bem nos primeiros 12km e comecei a subir a parte mais difícil do percurso, a Pedra do Cuca, uma subida muito longa. Quando chegamos ao topo, notei que estava acima das nuvens, muito frio. A descida foi muito difícil também, muito técnica.

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Chegamos no posto no km 43, onde comemos a quentinha que a organização nos deu: purê de batata com carne moída.Fiquei ali uns 15 minutos. Troquei de roupa e fui para os 27km finais, que seriam duros, pois já havia feito nos três últimos anos. Assim que saí do posto, para minha surpresa ouvi um ” VAI VICIADO!!”. Era uma corredora que chegava dos seus 27km. Corri o maior tempo na companhia do Marcos Ribeiro e depois do Emílio Sant’Ana, este segundo me acompanhou nas horas mais difíceis. Quando faltavam uns 15km, comecei a ter cãibras em todos os músculos das pernas. Emílio, que foi conversando comigo o tempo todo, me ajudou muito a continuar.

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Em certos momentos, consegui correr e depois as cãibras voltavam. No último posto de controle não parei, pois a cada parada era difícil voltar a correr e fui embora.
No último km minhas pernas travaram devido as cãibras, mas segui firme. Nesse último km me lembrei dos dois meses de incerteza em que fiquei parado. Quando cheguei na reta final, não aguentei e fui chorando muito até a chegada. Assim que cruzei a linha de chegada, as pernas não aguentavam mais. Literalmente foi a conhecida frase “QUANDO SUAS PERNAS NÃO AGUENTAREM, CORRA COM O CORAÇÃO!”.
Estou muito feliz, agradecido a Deus, por minha esposa que lá estava na minha chegada, amigos que me deram apoio lá, meu treinador Adevan Pereira e a todos desta família de guerreiros chamada VICIADOS EM CORRIDAS DE RUA.
DESISTIR NUNCA!
TENTE OUTRA VEZ!”

Flávio Loureiro

 

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