Maratona do Rio 2010: a emoção de um segundo filho

Completar uma segunda maratona é como ter um segundo filho. Você está mais experiente, já conhece as dificuldades, mas sente a mesma emoção: choro no fim pela missão cumprida. A gestação de um filho não se compara em tempo a de uma maratona, mas nos quatro meses de preparação, convivi com euforia, dores e incertezas.

No dia do nascimento, o natural frio na barriga na largada. Mas a experiência ajudou nos 42km da Maratona do Rio. De 2010 para 2009, baixei meu tempo em meia hora, de 5h10m para 4h41m, apesar de ter planejado fazer em 4h20m. Como cheguei inteiro, estou estimulado a ter um terceiro rebento. Tomara que nasça na Maratona de Nova York, em novembro.

Foto de Jorge William (Foto: No km 2 da Maratona)

 

A prova _ Pelos tempos que tinha feitos durante os treinos, a estimativa era de eu correr a Maratona do Rio em 4h30m, correndo os primeiros 10k para 6m35s/km, subir para 6m25s/km nos 20k seguintes e terminar os 12k restantes em 6h15m/km.  Mas treino é treino, corrida é corrida. Correndo ao lado da jornalista Manoela Penna, o ritmo aumentou, variando entre 6h08s e 6m10s, chegando até a 5m50s, abaixo dos tempos calculados pelo pessoal da fisiologia da Run & Fun, do técnico Mário Sérgio Andrade Silva.

Fomos bem até o km 35, quando eu me desconcentrei e perdi o ritmo. Determinada a fazer os 42k em 4h20m como que tínhamos imaginado quando estávamos na descida da Niemeyer, Manu foi embora. Tentei seguí-la até o meio de Copacabana, mas aquela “quebrada” no 35 me custou todo o planejamento dos quilômetros finais. Foi uma grande desmotivação, mas não seria isso que me faria parar. Pensei em tudo que tinha feito até ali e fui embora, infelizmente sem ter conseguido voltar ao ritmo anterior. Aqueles quilômetros finais foram os mais difíceis. Mas quando a cabeça estava brigando com o corpo, veio a curva final. Respirei fundo e acelerei, ainda mais após os incentivos do Mário Sérgio (padrinho  deste meu segundo filho, ao lado de sua mulher Suzana Bonuma), nos metros finais. Ao cruzar a linha, choro e um nó na garganta… E para coroar, um beijo da minha mulher como o prêmio máximo.

Que venha a próxima…

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