Muitos corredores se machucam na véspera da maratona. E aí, o que fazer? Com a palavra, o especialista Sérgio Maurício

 

Definitivamente o consultório está girando em torno da Maratona e da Meia do Rio esta semana. Atendi  casos que procuraram ajuda cedo, foram tratados, e passaram para aquela última olhada antes da largada e casos de dores que surgiram logo na semana da maratona, só para desestabilizar o corredor. Mas atendi ainda aqueles que já vêm com incômodos há um mês e que resolveram procurar o ortopedista na semana da prova, atrás de ajuda (ou milagre… rs)

Quando falamos de lesões, existe uma infinidade de diagnósticos, e dentro das próprias doenças, existem diferentes graus, que limitam ou não o corredor. A grande questão é: você não deve correr se estiver com dor! Dor é um sinal que nosso corpo dá quando algo está fora do normal, um sinal de alerta que devemos respeitar. Claro que não estou falando daquela dor de fadiga muscular, do esforço, que, em geral, é uma queimação e se estende para  coxas e pernas. Eu me refiro àquela dor que quando vem te faz mancar ou reduz muito o rendimento. Corrida não é pra isso! Não vale a pena sofrer por horas e carregar a lembrança de uma prova de sacrifício corporal, sem o prazer de admirar o que é correr no litoral carioca. Além do mais, de que vale a medalha se os próximos meses serão freqüentando fisioterapia e tomando medicamentos.

De forma geral, oriento a todos que tratem suas lesões o mais breve possível. É muito mais fácil tratar lesões musculares, tendinites e fascite plantar nos primeiros dias do quadro, quando apenas uma pequena quantidade de fibras foi lesionada, permitindo melhor cicatrização. Quando o corredor fica mais preocupado em manter os treinos do que a saúde, essas lesões muitas vezes se agravam, transformando o que seria algo simples em uma via crucis.

Nos casos brandos, como uma tendinite leve do Aquiles, atrito da banda iliotibial ou até mesmo uma crise de fascite plantar, em geral conseguimos resolver com medicamentos, fisioterapia, gelo e repouso. Na maioria das vezes, a pessoa faz a prova bem, mesmo que a dor tenha vindo na semana da prova, havendo tempo hábil para tratar. É comum precisarmos fazer mudanças no planejamento da prova, interrompendo os treinos durante alguns dias para que haja a total recuperação. O marinheiro de primeira viagem acha que “está tudo acabado” e que não concluirá a prova por não correr nos cinco dias que antecedem a largada. Mas quem seguiu as planilhas, correu em média 700 a 800km nos últimos três meses, pode estar certo de que já está preparado

Em outros casos, como nas fraturas por estresse, o repouso se faz necessário, e se a lesão ocorreu no mês da prova, as chances  de correr se aproximam de zero. Nos estiramento musculares, as chances também são baixas, com o tratamento levando de três semanas, nos casos leves, a três meses, nos casos mais graves.

Como regra geral:

  • doeu? Coloque gelo e procure o ortopedista o mais rápido possível
  • doeu na semana da prova? Ainda existe chance de você correr. É comum isso acontecer por tensão muscular e acumulo de treinos. Faça um diagnóstico preciso e exames complementares quando necessário para correr com segurança
  • sua dor não resolveu e está doendo pra andar ou tentar correr? É melhor abortar a missão para que não agrave seu quadro e tenha que interromper sua prova.

 

Treine com segurança sempre, com auxílio de um treinador experiente em corrida, um bom acompanhamento nutricional e investigando as dores, caso elas apareçam.

Boa prova domingo! Estarei na torcida de todos!

Sérgio Maurício, ortopedista e traumatologista

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