Saúde do atleta: corrida e proteção da coluna

Por Lucy Rodrigues, do blog Bem Viver, do jornal “A Crítica”.

Toda mudança que implica em hábitos saudáveis deve ser bem vista,  seja na alimentação ou na prática de exercícios físicos. Porém, tanto a reeducação alimentar,  quanto a incorporação de  atividades físicas no dia a dia exige cuidados e preparo, pois, sem isso, podem predispor à algumas complicações. No post de hoje, vou compartilhar uma história real sobre lesões agravadas por atividades físicas sem a avaliação prévia de um profissional da área. Um dos problemas mais comuns e que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) vai atingir 80% da população mundial em algum momento da vida, são as dores na coluna.

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Elizete Lobato, de 61 anos

Foram justamente as dores causadas por três hérnias de disco na coluna cervical que quase afastaram completamente das corridas de rua a minha entrevistada dessa semana. Elizete Lobato, de 61, sempre gostou de musculação. Malhou desde muito nova, mas foi somente quando se aposentou como funcionaria pública, aos 55, que começou a participar de corridas promovidas pela academia em que malhava. Ela mesma conta que “se viciou”! O que Elizete não esperava é que as corridas poderiam agravar um problema cervical, que ela nem mesmo sabia que tinha. “Participei de várias provas, cheguei a correr uma meia maratona, porém por indicação médica, tive de reduzir meu ritmo”, diz Elizete.

Para falar mais sobre o assunto, conversei com o Dr. Vinicius Benites, neurocirurgião especialista em doenças da coluna. Ele explicou que a corrida é uma atividade aeróbica que traz benefícios, principalmente ao condicionamento cardiorrespiratório, mas não tem função de fortalecimento muscular. Por isso, não podemos esquecer que é uma atividade de impacto, ainda mais quando realizada em pisos duros como o asfalto. “A corrida por si só não predispõe a dores da coluna, mas pode piorar para aqueles que já possuem algum tipo de problema”, alertou ele.

Foi o que aconteceu com a Elizete. Após uma crise com dores fortes desencadeadas em uma das corridas, ela descobriu as hérnias e teve que fazer tratamento com medicamentos e fisioterapia. Hoje, pelo menos cinco vezes por semana, faz um trabalho de fortalecimento muscular na academia, para a proteção da coluna.  Com o fortalecimento, sem dores e acompanhamento médico, atualmente, aos 61 nos, ela continua participando esporadicamente de corridas. “Me cuido muito, controlo peso, tenho uma alimentação saudável e de segunda à sexta, às vezes até aos sábados, bato ponto na academia para fazer esse trabalho de fortalecimento muscular. Esse final de semana vou participar da corrida Jovem Pan Night Run (hoje (11/6), em Manaus). Também me inscrevi para correr a meia maratona  (Asics Golden Run, em 13/11), em Brasília. Amo correr, além da sensação de bem-estar você faz muita amizade, se enturma, me faz muito bem”.

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Elizete nos 21km da Maratona do Rio

A experiência da Elizete reafirma o quanto é importante passarmos pela avaliação dos profissionais que atuam na área de saúde antes de iniciarmos uma atividade física, visando evitar complicações posteriores, principalmente daqueles que são especialistas na área escolhida para a prática. O acompanhamento do profissional de educação física durante o exercício também é fundamental.

O Dr. Benites comenta que toda atividade aeróbica deve ser completada com um esporte que trabalha o fortalecimento muscular, principalmente o abdômen e lombar, para proteção da coluna. “O corredor deve ficar atento se há piora da dor com os treinos. Caso haja, ele deve ser avaliado por um especialista em doenças da coluna”, afirma ele.

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Dr. Vinicius Benites

Dicas do  especialista para os corredores que têm ou querem prevenir problemas na coluna

– Escolha um calçado confortável e adequado;
– Associe fortalecimento abdominal e lombar;
– Caso tenha dor lombar ou cervical, faça uma avaliação com um médico especialista em doenças da coluna;
– Lembre-se que corrida não é contra indicado para quem tem dor nas costas e nem para quem já foi operado da coluna, mas é importante a avaliação do médico especialista antes da prática;
– Pratique a corrida no mínimo 2 vezes na semana.

 

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