Corredor amputado mostra força de vontade na etapa do Projeto de Braços Abertos no Caju

Do “EU ATLETA“. 

A interrupção de sonhos e objetivos esportivos por conta de lesões não é novidade e infelizmente acontece com muita gente. Diversos são os casos de atletas que precisam parar por restrições físicas. No último domingo (3/7), durante o Projeto De Braços Abertos, na comunidade do Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro, a história poderia ter o mesmo fim. Só que a força de vontade e o instinto guerreiro de um rapaz de 17 anos mostraram que nem tudo está perdido para quem acredita em si e está disposto a ir além de seus limites.

Lutador de jiu-jítsu, skatista e louco por esportes, Leonardo Barbosa viu sua vida mudar do dia para noite, literalmente. Sempre ativo e interessado pela prática esportiva, ele acordou um dia com fortes dores na perna. Mal sabia que as dores, que pareciam o preço pelos treinamentos pesados, mudariam para sempre sua trajetória. “Eu lutava, luto na verdade, jiu-jítsu pela UPP Caju e um dia eu acordei com algumas dores no joelho. No início, pensei que se tratasse de algo normal por conta dos treinamentos mais intensos. Então acabei deixando um pouco de lado. Do nada, meu joelho começou a inchar e fui a um hospital. Lá tiraram um Raio-X, mas não detectaram nada, porque meu problema não era ósseo. Puseram uma tala e me mandaram para casa. Por conta da forte pressão que o joelho estava sofrendo, eu acabei tirando a tala por dois dias e aí meu joelho voltou a doer ainda mais e ficar mais inchado.”

As dores eram incessantes e levavam Leonardo a procurar um diagnóstico para o seu problema. Após consultar um médico particular, o jovem teve como veredito um tumor no joelho, que lhe obrigou a amputar boa parte da perna esquerda, em agosto do ano passado. “Um tempo depois de ir ao hospital, precisava de uma solução. Fui a um médico particular e ele me indicou que fizesse mais alguns exames. De cara, ele já estava com suspeita de que fosse um tumor. Fui para o Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), lá fizeram uma biópsia e descobriram um tumor maligno, um pouco acima do joelho, com uma evolução muito rápida. Logo depois o médico conversou comigo e falou que provavelmente eu teria de amputar a perna. Eu comecei a rezar e pensei “Deus não vai fazer isso comigo”. Tentei lutar. Com tratamento o tumor regrediu um pouco, mas depois voltou com ainda mais força. E o jeito foi amputar a perna”, explicou.

Nascido e criado na comunidade do Caju, Leonardo diz que o problema serviu para fortalecê-lo e que continua com seus hábitos. Além disso, o fato de ter completado os 6km de prova durante o Projeto De Braços Abertos é o início de um longo caminho no mundo das corridas. “Tiro essa situação como lição, porque para mim Deus não faz nada para o nosso mal. Hoje em dia, faço tudo o que eu fazia, mas com as adaptações necessárias. Ando de skate, de bicicleta, sigo no jiu-jítsu – já pratica há quatro anos e está na faixa azul. Foi a primeira vez que corri no De Braços Abertos e não tenho nem palavras para expressar minha emoção. Ter participado da prova me fez perceber que posso ir mais além. Quero participar de ainda mais etapas”, concluiu ele, com o sorriso estampado no rosto.

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