Espaço do atleta: a ultramaratona dos Anjos Internacional na visão de Carolina Belo

“O assunto é a Ultramaratona dos Anjos Internacional, conhecida por UAI, disputada no último fim de semana, em Passa Quatro, em Minas Gerais. A distância total da prova é de 235 quilômetros (X-Hard). O atleta pode fazer completa  ou revezar essa distância. Há também distâncias menores:

  • uma prova considerada “Fast”  de 25 Km.
  • uma prova considerada “Easy” de 65 Km.
  • uma prova de 95 km chamada de “Medium“.
  • uma de 135 Km chamada de “Hard“.
Eu fiz a “Fast” enquanto que Otávio fez a “Easy“,  que segundo ele de “easy” não tem nada, mas isso fica para um próximo post.  Com a gente, havia também uma equipe de revezamento do Instituto Jacqueline Terto, que contava com a participação do Edivandro, um atleta cego. Na verdade, já posso adiantar que eles concluíram a prova abaixo do tempo esperado e Edivandro tornou-se o primeiro cego total com a utilização de guia a completar uma ultra no Brasil. Olha que legal!!!! Em breve, Jacque vai postar sobre isso no blog dela.

A entrega do kit e o Congresso Técnico aconteceram na quinta-feira na Pousada do Verde, em Passa Quatro, mesmo lugar em que ficamos hospedados. Como chegamos perto do horário do começo do congresso, perdemos grande parte dele, pois estávamos pegando o kit.

UAI 2016

Teve um jantar de massas na própria pousada oferecido pela organização, mas como o pessoal ia comer fora,  fomos com eles.

O dia começou cedo.  Às 6 horas já estávamos tomando café que estava marcado para começar às 6h30, mas havia outros corredores por lá e o pessoal da cozinha já estava no batente.
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No café da manhã
Como nossa pousada era longe da largada, chegamos meio em cima e quase não consegui garantir as fotos. Olha o drama!!!

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Galera…
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Abastecimento de última hora…

Encontramos a Aurea e o Emerson Bisan, da Nova Equipe. Fizemos nosso book inicial. E encontramos o nosso amigo Egomar, aquele que era a meta de não ser encontrado durante a Bombinhas Ilha do Farol (porque ele resgata os últimos colocados na prova, lembram???). Também fizemos fotinho para registrar!

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Com Aurea e Emerson
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Com Egomar…
A largada foi às 8 horas. Antes disso, foi executado o Hino Nacional. Foi bem emocionante, pois mesmo com essa loucura que está o país, as pessoas cantaram alegremente.
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Beijo de boa prova…
Largamos e corremos pelas ruas da cidade, o que deu uns 2,5 ou 3 Km. Foi tão em paz que só fui me ligar na quilometragem no km 3. Atravessamos a estrada e entramos em uma via que era de asfalto e depois foi se tornando terra. Esse início, nessa estrada, foi meio confuso porque eram muitos carros de apoio subindo juntos, o que gerou engarrafamentos.

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Vamos que vamos…
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Paisagem
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Paisagem
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Paisagem…

Passamos por um vilarejo e havia uma escola. As crianças estavam na janela gritando “boa corrida”. Claro que me deu vontade de chorar, né?

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Igreja ao lado da escola onde as crianças torciam por nós.
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Come docinho…

A chegada foi algo bem diferente. Não teve um pórtico. Apenas uma faixa escrita “Chegada“. O locutor anotava o número e a pessoa podia se alimentar e se hidratar e pegar a sua medalha em cima da mesa (perguntei a ele se era self service, ele riu). Comi umas frutinhas e fui esperar a chegada de Otávio. Logo ele chegou e fomos repor água para ele poder continuar. Ele disse que tinha encontrado o Marcio que havíamos conhecido na KTR 2015 (estão lembrados desse nosso drama?). Logo depois Marcio apareceu. Ficamos lá conversando um pouco, até que Otávio continuou o seu trajeto e, como não estava com o carro, fiquei esperando pela van que levaria os concluintes dos 25 Km de volta a Passa Quatro. Nesse meio tempo, conheci a Paula (figuraça que queria fazer os 65 Km porque estava se sentindo muito bem) e o Daniel (que passou dando motivação pelo caminho). Só estava faltando isto: os novos amigos que fazemos nas corridas da vida!

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Pronto, chegou!
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Otávio chegando nos 25 Km.
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Encontro e despedida…
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Finalmente, uma foto que não é selfie. Valeu Paula!

Voltei para a pousada para buscar o carro e mudar para outra pousada (pois a que estávamos não tinha vaga de sexta para sábado). Depois de me tornar “gente” novamente, fui almoçar e dirigir por 50 Km para encontrar Otávio, que estava percorrendo os 65 Km.

Como já tinha passado das 14h30m, não encontrei nenhum lugar aberto para almoçar em Itanhandu. Fui ao supermercado comprar água e achei uns sanduíches. Apesar de querer “comida comida”, estavam ótimos.

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Felicidade com a comida…
Parti para Alagoa seguindo as instruções do gerente do supermercado.  Acontece que não havia placa indicando em qual rua de Itamonte eu deveria entrar (o moço tinha dito que seria antes da fábrica do guaraná Mantiqueira, mas quando vi a fábrica, a rua já tinha passado, aff). Parei no posto para perguntar e lá fui seguindo novas instruções. Consegui me achar e fiquei muito feliz em perceber que a estrada não era de terra, como a moça do supermercado tinha falado. Foram muitos Kms em asfalto e em pedra hexagonal (não sei o nome oficial desse tipo de piso), até encontrar os 10 Km de cascalho que foram tensos.
Quando ainda estava na pedra hexagonal, comecei a encontrar alguns participantes da corrida. Quando vi o primeiro (que na verdade eram duas meninas que estavam em último, né?), gelei. Fiquei com muito medo de encontrar Otávio se arrastando pelo caminho. Quando passei pelo segundo corredor, liguei o alerta e perguntei se ele estava bem e se precisava de alguma coisa. Ele perguntou se eu tinha água. Tinha comprado duas garrafas para levar para a pousada depois, mas achei que ele precisava muito mais que eu. Parei e dei a água.  E assim fui fazendo até chegar na bifurcação na subida da Serra do Papagaio, onde segui em frente e os corredores desciam para a esquerda (recebi a recomendação expressa de não descer pelo mesmo caminho que os corredores, pois teria uma pirambeira de respeito. Claro que não desrespeitei essa recomendação, ha ha ha ha).
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No topo do morro
Aí foram os 10 km de cascalho. O carro trepidava desesperadamente e eu rezava para não furar um pneu naquele lugar. Ninguém subia e ninguém descia e aí comecei a ficar com medo e a imaginar a volta na escuridão nesse lugar. Ai Jesus!!!!
Acabado o cascalho, voltei para o asfalto e comecei a encontrar os corredores. Vi Egomar correndo na maior paz e depois de um tempo cheguei a Alagoa.
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Entrada da cidade de Alagoa
Fiquei esperando, esperando, esperando por Otávio.  Enquanto isso, bati papo com muitas pessoas, tanto do apoio quanto com atletas que chegavam e ficavam aguardando pela van para voltar a Passa Quatro. Tinha um pessoal do apoio de dois atletas que foi show. Um deles, o Rogério Zulu, toda hora perguntava se eu queria alguma coisa, mas mesmo ardendo de fome, não quis incomodar, porque, afinal, as pessoas calculam as coisas para seus atletas e eu não ia gastar isso. Foi muito engraçado quando ele perguntou sobre quem eu estava esperando. Eu dei as características de Otávio e ele falou: “um que mora em Nilópolis?”, eu disse que não e ele completou: “não, ele fez audiência lá. Tá vindo, tá bem”. Ufa! Menos mal…
Depois de 2 horas esperando, eis que Otávio chegou!!!! Querem saber como ele foi? Aguardem até quarta-feira que haverá um post da série “Eu não fui, mas meu amigo foi”!  Olha o drama…
Espero que tenham gostado
Um super beijo.”
Carolina Belo

 

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