Etíope Feyisa Lilesa, prata na maratona olímpica, aguarda no Rio resposta dos EUA ao seu pedido de asilo

O etíope Feyisa Lilesa, de 26 anos, medalha de prata na maratona dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no último domingo (21/8), vencida pelo queniano Eliud Kipchoge, e que cruzou a linha de chegada com os pulsos cruzados sobre a cabeça numa forma de protesto contra o governo de seu país, aguarda em um hotel do Rio a aprovação de seu pedido de asilo ao Estados Unidos.

Após a manifestação política, proibida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI),  o corredor decidiu não retornar à Etiópia, temendo pela sua segurança. Após receber a medalha de prata durante a cerimônia de encerramento da Olimpíada, no Maracanã, o corredor abandonou a delegação de seu país, não retornando para a Vila Olímpica, e se escondeu das autoridades locais em um hotel no Rio.

“Meu amigos que moram nos Estados Unidos reservaram este hotel. Me derem o endereço e eu mostrei ao taxista (após a cerimônia de encerramento) que me trouxe aqui” afirmou o maratonista ao Sportv, com a medalha de prata olímpica no peito, que pode permanecer no Brasil por mais 70 dias, aproximadamente, graças à autorização obtida para disputar os Jogos Olímpicos.”Foi um sinal de apoio aos manifestantes que foram mortos pelo governo do meu país. Eles fazem o mesmo sinal lá. Eu queria mostrar que eu não estava de acordo com o que está acontecendo”.

Nascido na região de Oromia, na fronteira com a Somália, Lilesa pertence a etnia oromo, de maioria cristã e formada por mais de 35 milhões de pessoas, que além da Etiópia e Somália está presente no Quênia. Nas últimas semanas, os oromos fizeram duros protestos contra o presidente Mulatu Tshome e o primeiro-ministro Hailemariam Desalegn por  desrespeitarem os direitos humanos, realizarem prisões e execuções arbitrárias e marginalizar politicamente esse povo.

“O governo da Etiópia está matando o meu povo. A Etiópia tem muitas etnias e apenas uma tem o poder. E ela está matando muitos integrantes das outras”, disse.

Lilesa repetiu seu gesto na entrevista coletiva, na qual disse que teme por sua vida caso retorne à Etiópia. “Além de assassinar o povo oromo, o governo também o está privando das suas terras e de seus recursos. Eu, como oromo, concordo com esses protestos. Meus familiares estão presos e, se ousassem falar de direitos humanos, acabariam executados. Se não me matarem, vão me prender”, disse.

“Não posso fazer nada a respeito (sobre uma sanção do COI) . Senti que devia fazer o gesto, há um problema muito grave no meu país e não tenho a opção de protestar na Etiópia”.

 

 

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