Americana com esclerose múltipla vai correr sete maratonas em sete continentes em menos de 1 ano

“Praticamente eu empurro meu corpo com o lado esquerdo e meu lado direito segue junto”.

Essa frase é de Cheryl Hide, uma americana de 42 anos, de San Diego, na Califórnia, diagnosticada com esclerose múltipla (EM) em 2006. No momento em que soube, ela achou que sua vida como corredora amadora tinha tinha chegado ao fim.

A EM é uma doença neurodegenerativa em que o sistema imunológico ataca a bainha protetora dos nervos, dificultando a comunicação entre o cérebro e o corpo. Em Cheryl, a EM enfraquece os músculos do lado direito de seu corpo, incluindo seu pé direito, que a faz tropeçar. Uma ortose na perna direita atrofiada eleva ligeiramente os dedos do pé direito para que ela não caia. E foi com essa peça que Cheryl superou a notícia da doença e completou 36 maratonas em 10 anos.

Depois dessa marca, Cheryl quer ser a primeira mulher com EM a completar sete maratonas em sete continentes em um ano. Seu desafio começou no último domingo, quando ela cruzou a linha de chegada da Sanlam Cidade do Cabo, na África do Sul, com o tempo de 4h54m16s.

“Eu sempre quis fazer algo realmente grande”, disse Cheryl a FoxNews.com. “Eu acho que eu sou uma daquelas pessoas que se sentem muito bem onde me sinto tão bem, e você se sentir como uma máquina e que pretende manter a correr para sempre”, disse Cheryl. “É um pouco diferente com MS porque você não se sentir como uma máquina como muito, mas é algo que eleva o seu espírito.”

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Inspirada por Brian, seu marido e experiente maratonista, Cheryl começou a correr em 2000, pois era uma atividade física que os dois poderiam fazer juntos e isso a encheu de alegria. Depois que foi diagnosticada com EM, seu primeiro neurologista a aconselhou a diminuir suas expectativas.

“Eu não era a pessoa certa para ouvir aquilo”, afirmou Cheryl, rindo. “Eu queria provar que ele estava errada, e eu acho que eu consegui”.

Sua ortopedista, Ara Mirzaian, disse que Cheryl poderia continuar correndo, mas estava cético sobre seu desejo de correr uma maratona.

“Ela sempre foi ativa, e quando ela veio até mim, eu disse, ‘Eu posso vê-la correndo, mas correr uma maratona é praticamente impossível por causa do pé caído”, disse Mirzaian. “Cheryl não concordou e disse: ‘Eu posso fazer isso. Me dê uma ortese. ”

Cheryl testou cinco diferentes desenhos de ortese, quebrando vários, até que ela conseguiu seu modelo atual, feito de grafite de carbono. Para cada maratona de seu desafio, ela levará duas peças por  medida de precaução.

Segundo Brian, de 56 anos, sua esposa é determinado  e quando ela define algo em sua mente não há quem a faça mudar de ideia. “Ela é teimosa no sentido de que nenhum médico vai dissuadi-la de fazer as coisas que ela quer fazer”

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Para se preparar para as corridas, Cheryl faz musculação a cada dois dias e também pedalado. Mas ela e Brian deram um tempo nas corridas e andando de bicicleta para descansar as pernas. A ideia é que cada maratona sirva de treinamento para a próxima.

Depois de completar sua primeira corrida na Cidade do Cabo, Cheryk vai participar da Maratona de Buenos Aires, no dia 9 de outubro. Em seguida, será a vez da Maratona de  Honolulu, no Havaí, em dezembro, a Maratona da Antártida, em janeiro,  a de Tóquio, em fevereiro, e a de Viena, em abril. A última corrida agendada será em Christchurch, na Nova Zelândia, em junho.

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Cheryl Hide e o marido Brian. Foto Foxnews.com

“Estou bastante confiante para fazer este desafio em nove meses”, disse Cheryl.

Para treinar e testar seus equipamentos para a corrida na Antártida, com temperatura de -20 graus, Cheryl pretende fazer corridas longas em Denver durante suas férias. Ela está preocupada com seu sintomas em um clima tão desfavorável, bem como no calor em Honolulu. Ela não sabe o que essas temperaturas extremas podem causar em sua perna. Mas ela está confortável em ter o marido Brian ao seu lado nas maratonas para incentivar e ajudá-la a abrir a garrafa de água, o que a EM torna mais difícil.

Cheryl está mais ansiosa para a maratona em Nova Zelândia. Não só porque é a última corrida do desafio, mas por ser realizada em seu aniversário, no dia 4 de Junho.

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