Por sete segundos, etíope Kenenisa Bekele, campeão da 43ª edição da Maratona de Berlim, neste domingo, não bate o recorde mundial dos 42km

O tempo que você levou para ler o título deste post foi o que faltou para Kenenisa Bekele bater o recorde mundial da maratona. O etíope cruzou a linha de chegada da 43ª edição da Maratona de Berlim, no Portão de Brandemburgo, neste domingo (25/9), com o tempo de 2h03m03s, ficando a sete segundos de superar o recorde mundial de 2h02m57s, do queniano Dennis Kimetto, obtido em Berlim há dois anos. Em segundo lugar, a dez segundo do campeão, ficou o queniano Wilson Kipsang, com 2h03m13s (a quarta melhor marca do mundo), seguido pelo compatriota Evans Chebet, a dois minutos e meio do etíope, com 2h05m31s. Uma da mais importantes maratonas do mundo e a mais veloz  teve a participação de 41.283 atletas de 122 países.

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Kenenisa Bekele cruza a linha de chegada da Maratona de Berlim. Foto de divulgação

Bekele admitiu surpresa com a marca e queria apensar bater seu recorde pessoal, de  2h05m04s, na Maratona de Paris de 2014, onde o recordista mundial e medalhista olímpico dos 5.000m e 10.000m, em Atenas-2004 e Pequim-2008, fez sua estreia dos 42km, mas também mostrou sua frustração em não ter superado a atual marca. “Eu queria estabelecer a minha melhor marca pessoal. o tempo que fiz é fantástico, mas é um tanto desapontador perder o recorde mundial por tão pouco”, disse o campeão, que após duelo com Kipsang ex-recordista mundial com 2h03m23s, também em Berlim, em 2013, assumiu a liderança no último quilômetro da prova.

Após a vitória em Paris, em abril, com2h05m04s (32º melhor tempo da história dos 42km), Bekele correu em Chicago, onde ficou em terceiro com 2h05m51s. Na sua terceira maratona, em Dubai, em janeiro do ano passado, o etíope abandonou no Km 30. A lesão o impediu de disputar a Maratona de Londres de 2015. Este ano, em Londres, Bekele voltou e terminou em terceiro, com 2h06m36s, tempo que não o classificou para a maratona dos Jogos Olímpicos Rio 2016, em agosto.

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Bekele segue os passos do compatriota Haile Gebrselassie, outra lenda do atletismo mundial. Haile, bicampeão olímpico nos 10.000 e campeão olímpico nos 5.000m e recordista mundial nessas duas distâncias, é tetracampeão da Maratona de Berlim (2006/2007/2008 e 2009), batendo duas vezes o recorde mundial dos 42km, O primeiro foi em 2007, com 2h04m36s, e no ano seguinte, com 2h03m59s.

A prova foi intensa desde o primeiro quilômetro, que foi completado pela elite em 2m40s. A passagem dos 10km foi feita em 29m00s, 24 segundos mais rápida do que a de Kimetto em 2014. Nos 21km, Bekele e  Kipsang completaram em 1ho1m11s, 34 segundos mais fortes que Kimetto, a melhor marca desta distância dentro de uma maratona. No Km 30, Kipsang liderava com 1h27m26s, 4 segundos à frente de Bekele que, por seu lado, ia deixando para trás os quenianos Alfers Lagat e Evans Chebet e o seu compatriota Sisay Lemma. No Km 35, o queniano mantinha-se em primeiro, com 1h41m56s, 5 segundos de diferença para o etíope. A arrancada final de  Bekele foi digna de um campeão. No Km 40, ele já estava 1 segundo à frente de Kipsang, com 1h56m55s. No quilômetro final, Bekele escapou e cruzou vitorioso a linha de chegada.

O domínio africano na prova foi absoluto. Dos 12 primeiros colocados, 9 eram do Quênia, dois da Etiópia e um da Eritreia. O primeiro corredor fora da África foi o japonês Yuki Kawauchi, em 13º, com 2h11m03s, e o melhor europeu foi o sueco Mikael Ekvall, em 14º, com 2h13m16s. O melhor americano foi Nick Arciniaga, com 2h18m18s, na  23ª colocação. O melhor sul-americano foi o argentino Eduardo Rafael Lencina, em 66 lugar, com 2h27m55s. Dos 716 brasileiros que correram em Berlim, o melhor foi Mateus Gómez Sacchett, com 2h37m43s, na 210ª colocação.

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Pódio feminino da Maratona de Berlim. Foro de divulgação

Na maratona feminina, a vitória também foi etíope. A campeão foi Aberu Kebde, com 2h20m45s, seguida pelas compatriotas Birhane Dibaba (2h23m58s) e Ruti Aga (2h24m41s), enquanto a japonesa Reia Idade foi a quarta (2h28m16s) e a alemã Katahrina Heinig, filha de Katrin Dörre-Heinig, terceira colocada na maratona dos Jogos Olímpicos Seul 1988, terminou em quinto.

 

 

 

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