Ariane Monticeli será a única brasileira no temido Ironman do Havaí, hoje (8/9)

O GLOBO. No fim de julho, a gaúcha radicada em São Paulo Ariane Monticeli, de 34 anos, foi para o Ironman da Suíça sabendo que precisava de um quinto lugar para garantir uma vaga no temido e seleto Mundial de Ironman,  em Kona, no Havaí, que acontece hoje. Logo em seu primeiro passo no gelado lago suíço, a brasileira chutou uma pedra e quebrou o pé esquerdo. Mesmo sentindo uma dor enorme a cada passada da maratona e pedalada no ciclismo, ela conseguiu o quinto lugar e, consequentemente, a vaga no Mundial.
— Senti a dor na hora do chute, mas segui a natação. Quando saí da água, já fui mancando na transição, não consegui correr porque já estava com o pé muito inchado. Comecei a pedalar e tinha que ajeitar o pé em alguns momentos, mas não atrapalhou tanto o pedal — lembra. — O primeiro passo que dei quando larguei a bicicleta foi horrível. Eu não conseguia correr, mas não tinha escolha, precisava aguentar até o fim. Não sei como fiz isso, não desejo para ninguém.
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Ariane será a única representante feminina do Brasil neste Mundial, na categoria profissional, formada pelas 35 primeiras do ranking. Ela é a 35ª. Entre os homens, os 60 primeiros conseguem a vaga, e o país terá dois representantes: Igor Amorelli (46º) e Fábio Carvalho (51º). Para conseguir a pontuação, é preciso competir em provas de Ironman (3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida) ao redor do mundo. Em sua primeira participação em Kona, no ano passado, Ariane foi com boas expectativas. Afinal, tinha feito uma de suas melhores temporadas: campeã do Ironman Florianópolis, em 2015, tornou-se a primeira atleta da América do Sul a completar a prova em menos de nove horas, com 8h59m08. Desde 2008, com Fernanda Keller, que uma brasileira não vencia na capital catarinense.
A dois meses de sua primeira largada em Kona, no entanto, Ariane sofreu um estiramento de 12cm na panturrilha direita. Era sua primeira lesão, e a única maneira de se recuperar a tempo da prova foi abrir mão dos treinos e apostar no descanso. A estratégia deu certo, e ela terminou na 25ª colocação, sendo que 14 atletas não completaram a distância.— Eu perdi a mecânica do movimento de corrida pelos meses sem treino (após a lesão na panturrilha). Então, meus joelhos, quadríceps, pernas… ficou tudo inchado. Mas era minha primeira vez em Kona, e eu queria completar como fosse — conta.foto-2-arianeDepois dessa primeira experiência, Ariane prometeu a si mesmo que disputaria Kona, em 2016, fisicamente 100%. Isso ela conseguiu, pois já não reclama mais de dores no pé esquerdo que quebrou na Suíça. Emocionalmente, no entanto, sofreu um baque muito grande. A mãe, Maristela, que era a sua principal incentivadora e amiga, perdeu a guerra contra a leucemia há poucas semanas.— Minha mãe conseguiu um transplante 100% compatível, e ficamos com grande esperança de ficar tudo bem. Só faltava uma sessão de quimioterapia e faria o transplante, mas ela acabou tendo uma complicação inesperada — lamenta a atleta.
Desde que Ariane começou nas provas de triatlo, em 2005, sua mãe esteve presente. Após três anos, as competições ficaram mais sérias e ela acabou se profissionalizando. Mas não totalmente. Como não conseguia manter o padrão de vida somente com o dinheiro que vinha do esporte, trabalhava também como comissária de bordo.Em 2012, tudo mudou. Como resolveu se dedicar apenas ao triatlo, Ariane precisou abrir mão de alguns luxos: abandonou o emprego na companhia aérea, alugou seu apartamento e foi morar em um menor. A tática deu certo e ela chegou ao título em Florianópolis. Sua mãe não conseguiu acompanhar, pois estava hospitalizada.No Havaí, Ariane enfrentará o desafio do Mundial de Kona com força extra. Se conseguir completar bem a prova, com suas condições climáticas extremas, já terá valido a pena.
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