Em 2010, a jornalista Manoela Penna corria a Maratona de Atenas comemorativa aos 2.500 anos da façanha de Felipedes

Ontem, publiquei aqui o texto que a jornalista Manoela Penna escreveu sobre a véspera da Maratona de Atenas, que comemorou os 2.500 anos da façanha do primeiro maratonista, o grego Felipedes, que correu os 42km entre as cidades de Maratona e Atenas para anunciar a vitória grega sobre os persas. Hoje é a experiência da Manoela nesta prova há seis anos.  Quem quer correr essa prova mística ou vai estar participando dela no próximo dia 13, vale ler o relato:

Atenas (31/10/2010) – A democracia ateniense foi um exemplo pras civilizações européias há algumas muitas centenas de anos. Por ela e contra ela houve a batalha de Maratona no ano 490 antes de Cristo, data lembrada neste 31 de outubro durante a 28ª Maratona Clássica de Atenas. Cerca de 400 brasileiros, por sua vez, deixaram de exercer a democracia nas eleições presidenciais deste domingo, mas puderam participar de um evento que mostrou um pouco do que esperamos do nosso país hoje e sempre: saúde, civilidade e paz, no mínimo.
O número de peoto de Manoela Penna e o mapa da Maratona de Atenas (Foto: Arquivo)
O número de peito e o mapa da Maratona de Atenas
Foi uma corrida emocionante do começo ao fim. Mas, principalmente, ao longo dos 42km que separam a cidade histórica de Maratonas da capital Atenas, em um sobe e desce insano (do km 12 ao 32 “apenas”) que, aliado ao sol forte, maltratou os 12 mil corredores que largaram para a prova. “Quando o corpo sua é porque os músculos estão chorando”, diz a camisa de um alemão com toda propriedade.

Centenas de atenienses saíram às ruas para saudar os corredores. E vou dizer: não há gel de carboidrato que supere a energia que essas pessoas passam durante a prova. Minha sensação era que eu estava sendo colocada no colo, empurrada ladeira acima. “Bravo, bravo”, gritam crianças e senhoras, homens que saíram de casa no domingo apenas para participar da festa. E fazer a festa ainda mais bonita. “Kalimera (bom dia)”, repetia uma moça com a bandeira grega na mão ainda nas primeiras horas da fresca manhã (o dia começou com 6 graus e foi a mais de 20 durante a prova). “Welcome to Athens (bem vindos a Atenas)”, saudava um grupo quando a corrida se aproximava dos limites da cidade.

A galera na largada da Maratona de Atenas (Foto: Arquivo)
A galera na largada da Maratona de Atenas

O que durante a semana parecia uma festa “gringa” na casa dos gregos, no sábado já tomava tons multicoloridos nas ruas, metrô e bares de Plaka, o bairro aos pés da Acrópole. Claro, como não tinha pensado nisso antes: dias úteis, atenienses trabalham e só turistas dão o ar da graça.

“Vocês são brasileiros? Tem aquele maratonista de 2004…”, puxou papo um grego grandão na estação de Syntagma, a praça central da cidade, lembrando mais uma vez dele… Vanderlei Cordeiro de Lima, o homem no imaginário coletivo de um pais que cresceu entre mitos e heróis. E nosso novo amigo tratou de nos dar dicas sobre a prova. “Não é tão dura como parece, mas a subida leva 20km para acabar…”, disse ele, o que nos tranqüilizou e estressou ao mesmo tempo.

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No restaurante onde fomos carregar o corpo com carboidratos (nada melhor do que uma Mousaka, com batata, carne e beringela…),  o garçom Theodor, com autoridade de quem correu 14 vezes a Maratona de Atenas com o melhor tempo de imponentes 2h52min, perguntava nossos planos para a corrida.

“Se eu fizer 4h30 está bom”, respondi, somando o pouco treino às ladeiras para fazer um tempo um pouco acima das 4h21 que havia feito na minha primeira maratona, no Rio, em julho.

A visão do estádio de mármore Panathinaikos, local da chegada da Maratona (Foto: Arquivo)
A visão do estádio de mármore Panathinaikos, local da chegada da Maratona de Atenas
Cheguei chorando ao Estádio Olímpico, onde Spiridon Louis venceu a primeira maratona dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896. A atmosfera incrível, os anéis olímpicos no horizonte, a medalha mais bonita que já recebi no pescoço, o encontro com os amigos recém-feitos ao longo dos últimos três dias foram os ingredientes perfeitos para uma emoção incontrolável. Mais do que isso, graças às palmas e palavras de incentivo do povo grego, meu relógio marcava o tempo da magia da minha Maratona Clássica de Atenas: 4h08min – que vão durar para sempre na memória.

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