A edição 2016 da Corrida Soldado do Bope teve recorde de participantes, com mais de mil “aspiras” querendo se tornar “caveiras” nas distâncias de 6 e 10 quilômetros. A prova aconteceu no último dia 23 de outubro, com largada e chegada no interior do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro, localizado no bairro das Laranjeiras.

Antes da largada, um grupo de militares paraquedistas entoaram cantos da corporação e fizeram séries de flexões para entreter e aquecer os corredores. Os mais animados ainda tinham a opção de escalar um muro com a frase “Nunca Serão” ou subir por uma corda lisa.

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O tiro de partida foi dado às 8h com a explosão de uma granada e logo as ladeiras do Batalhão foram tomadas pelos atletas que tinham até 1h30m para completar os percursos. No meio do caminho os organizadores prepararam algumas surpresas, como explosões de bombas, fumaça colorida e jatos d’água.

Após subirem alguns quilômetros em terreno de concreto os participantes chegaram ao estande de tiro, onde os militares realizam exercícios no dia a dia. Após darem uma volta no local, desceram em direção à saída do Batalhão e atravessaram o Parque Guinle antes de retornarem ao pátio de largada pela Comunidade Tavares Bastos.

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Em sua terceira edição, a Corrida Soldado do Bope teve as inscrições esgotadas em poucas horas e já caiu no gosto de civis e militares. “O percurso de de 6km foi doído, mas tive estratégia para completar e vencer”, relata Eder Gomes de Mattos, soldado do BOPE. “A importância dessa prova é a integração com a população. Eles precisam da gente e vice-versa, isso é o BOPE”.

Para a auxiliar administrativa Elizangela Meireles, o trecho final da prova foi o mais difícil. “Todo mundo dizia que a subida para o estande de tiro era a pior, mas achei a ladeira da comunidade a mais complicada, porque tivemos que passar várias vezes por lá”. A brasiliense radicada em São Paulo lembra que as pernas já não tinham mais forças. “No final foi só coração e cabeça mesmo”.

Vitor Nascimento de Abreu veio de Jacarepaguá, terminou a prova exausto, mas feliz. “Foi maravilhoso participar dessa prova, apesar da dificuldade que ela oferece. Recomendo a todos que venham ano que vem”.

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Outro militar que esteve presente foi Pedro de Sales. “Fiz as duas primeiras edições na distância de seis quilômetros e terminei na quarta colocação. Dessa vez corri os dez e fui vice-campeão”. O bombeiro guarda vidas ressalta a dificuldade do percurso. “Doeu bastante, mas a vibração do pessoal no percurso incentivava a gente. E correr nesse Batalhão histórico é um grande prazer”.

Para o organizador do evento, Rafael Sodré, o resultado final foi bastante positivo. “É uma prova totalmente diferente e desafiadora. Recebi um feedback positivo das pessoas que vieram aqui”. Responsável pela empresa De Elite e cabo do BOPE, ele afirma que sempre terá como objetivo tirar as pessoas da zona de conforto. “Queremos que as pessoas se superem cada vez mais. Não queremos vender apenas um kit, mas sim um desafio. Vamos já programar 2017 com muitas novidades”.

Ao final dos seis quilômetros Eder marcou 26m50s para garantir o primeiro lugar, seguido por Cleber Matiolli (32m07s) e Leonard Wollman (33m16s). No feminino, as aspiras Viviane Lyra (31m20s), Brigida Anjos (35m10s) e Yochabel Chagas (41m03s) se tornaram caveiras após disputas intensas durante o percurso.

Na distância maior, Cleiton Pedro Machado foi o caveira que levou o caneco dourado (44m41s), seguido por Pedro Palhano (44m48s) e Paulo Cesar Malta (45m20s). Entre as mulheres, Erica Santana de Oliveira teve uma vitória tranquila sobre Marta Campos (55m46 contra 1h02m23s), que por sua vez quase perde o vice para Priscila Rodrigues Silva, que marcou 1h02m25s.