Tudo começou com um OBJETIVO: 80km na Indomit Costa Esmeralda 2016.

Prosseguiu com um PLANEJAMENTO criterioso: disciplina, planilhas de Marcelo Duarte, musculação, alimentação, logística de ida e onde ficar…

A cereja do bolo: o aniversário de Gabi Porto e a presença de vários amigos dividindo a mesma casa. Como é bom ter amigos amados ao redor!

O dia anterior foi penoso. Nunca tinha corrido uma prova com largada tão cedo (1h). O que comer? Quando comer? Quando dormir? Por mais planejado, entra o emocional. E aí…

Que energia estar cercado na largada. Fiquei com medo de dormir correndo (risos).

E logo com 2km “tome” subida! Apenas a minha lanterna e a do Sérgio Maggessi iluminavam o breu.

Para o meu desespero, com pouco tempo de prova meu intestino conspirou. Feio. Pensei: “adeus”. Juntei forças, rezei, me hidratei (água e isotônico) e segui.

Não haviam muitos trechos planos. Asfalto quase nenhum. As trilhas (ou em subidas ou em descidas) ou eram com pedras roladas, ou estavam com barro, ou eram com perigosas erosões. Single Track para dois pés um do lado do outro devido às depressões, que em alguns lugares chegavam a mais de metro. Caindo ali, para sair, só se alguém puxasse.

Quase não corrí com o bastão preso na mochila. Os vários morros somaram quase quatro Corcovados de ganho de elevação. E o mesmo tanto de descidas. Coxas, panturrilhas e cintura eram muito exigidos.

E tinha costeira com pedras altas, e tinha areia de praia, e tinha estrada de barro, e tinha mato fechado, e tinha o Morro do Macaco (o que é aquilo????), mas tinham também incríveis paisagens e gana. Vou chegar.

Parabéns à organização. Excelentes informes pré-prova, feira boa, congresso técnico elucidativo, critério em desviar parte da prova para as avenidas devido à forte ressaca, staffs, socorristas, sinalizações no escuro e no claro (várias vezes, sozinho, me guiava pelas fitas refletivas), postos de hidratação super completos… Em três deles, podíamos pegar itens (deixados quando retiramos os kits) ou deixar coisas para pegar depois.

Prova duríssima. Técnica por demais. Do jeito que eu gosto.

Inexplicável o reencontro com a patroa Rejanny e com os amigos na chegada. Há horas estavam ali para nos receber. Até faixa no pórtico eu tive!

Era hora de me ajoelhar e mostrar a minha gratidão a Ele, que me conduziu por aqueles caminhos sinuosos.

Em toda prova corri pouco com o Sérgi,o pois ele também teve um forte problema intestinal. Pena. Teria sido fantástico tê-lo ao meu lado como em outras dezenas de vezes, mas o importante é que chegamos e estamos até hoje curtindo esse feito com uma RECOMPENSA dentro do coração e outra dependurada na parede. Próxima!

Renato Coelho