Nos últimos anos, a corrida de rua cresceu a ponto de se tornar o segundo esporte mais praticado no  pais, ficando atrás apenas do futebol. A corrida de rua tem sido utilizada amplamente como estratégia para perda ou manutenção do peso corporal, redução do nivel de estresse e melhoria dos marcadores referentes à saude, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas entre outros, entretanto, pouco tem se atentado para o número de lesões musculares e articulares que o corredor apresenta durante um ano de treinamento de corrida. 

Sabe-se que o número de lesões esportivas é alto. Na corrida estudos apontam para uma prevalência de lesões em até 50% dos participantes a cada ano e a incidência variando entre uma a duas lesões por ano. As publicações científicas mais recentes têm demonstrado que é possível reduzir o número de lesões se programas de treinamento foram realizados focando os fatores de risco individuais. Na corrida as lesões mais comuns são: Síndrome da Dor Fêmoro-Patelar (dor na região anterior do joelho), Síndrome da Banda Íliotibial (dor na região lateral do joelho), Tibialgia (“canelite”), Fascite Plantar (dor na planta do pé) e Tendinopatia de Aquiles (dor no tendão de Aquiles).

Muitas das lesões nos membros inferiores em corredores parecem ter como um de seus principais fatores de risco a fraqueza dos músculos do quadril. Sim, pode parecer estranho, no entanto, a fraqueza dos músculos glúteos pode levar ao movimento denominado “valgismo dinâmico” (vide foto), no qual os joelhos quase se tocam, gerando uma lateralização da patela e sobrecarregando a articulação do joelho. Apesar de ser um fator de risco predominante em mulheres, nem todas as corredoras apresentam esses músculos fracos. Por outro lado, apesar de ser menos comum em homens, há diversos homens que apresentam essa alteração É essencial que cada corredor seja submetido a uma avaliação biomecânica específica, contendo testes de corrida, de força muscular e de flexibilidade dos segmentos para identificar se essa alteração de movimento está presente.

Movimento de agachamento unipodal. Repare, na foto da  direita, no membro direito, na qual há uma inclinação do fêmur   na direção medial.
Movimento de agachamento unipodal. Repare, na foto da direita, no membro direito, na qual há uma inclinação do fêmur na direção medial. | Biocinética/Divulgação

As principais causas do “valgismo dinâmico” são: fraqueza dos glúteos, déficit de controle motor do tronco e dos quadris, pronação excessiva dos tornozelos e a restrição da mobilidade dos tornozelos. Quando identificada, a presença desse colapso medial dos joelhos, é essencial que se descubra qual o fator etiológico para que o treinamento mais específico e individualizado seja prescrito e haja uma melhora em curto prazo.

Um cuidado a ser tomado é que nem sempre esse valgismo dinâmico aparecerá nos movimentos de agachamento. Muitas vezes ele só é encontrado durante a própria corrida e de forma mais discreta do que no caso de figura acima. É importante consultar um profissional da saúde especialista em biomecânica para realização dos testes corretos para identificar se você apresenta fatores de risco para lesões na corrida. Lembre que a maioria das lesões são preveníveis se você identificar precocemente que se encontra em alto risco.

Avaliação biomecânica da corrida. A figura do lado esquerdo é o instante em que  o corredor toca o solo e a figura do lado direito é o momento em que ele   descarrega o peso no solo. Repare no “valgismo dinâmico” do membro direito
Avaliação biomecânica da corrida. A figura do lado esquerdo é o instante em que o corredor toca o solo e a figura do lado direito é o momento em que ele descarrega o peso no solo. Repare no “valgismo dinâmico” do membro direito | Biocinética/Divulgação

 

Alan Marques – Treinador de corrida e personal trainer;

Gustavo Leporace – Diretor Técnico da Biocinética