Estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, apontou que ter um estilo de vida ativo ajuda a preservar a massa cinzenta do cérebro de adultos e pode reduzir a demência e o mal de Alzheimer. Entre as atividades que podem contribuir para a redução do risco dessas doenças  é a corrida. A pesquisa foi realizada através da análise da estrutura do cérebro de 876 adultos, com média de 78 anos de idade.

— Nós tivemos 20 anos de dados clínicos sobre o grupo, incluindo índice de massa corporal e hábitos de vida — explica Cyrus Raji, um dos autores do estudo. — Nós tiramos nossos pacientes de quatro locais em todo o país e fomos capazes de avaliar a produção de energia na forma de quilocalorias por semana.

Depois de controlar idade, tamanho de cabeça, disfunção cognitiva, sexo, índice de massa corporal e educação, os pesquisadores encontraram uma forte associação entre a produção de energia e volume de substância cinzenta em áreas do cérebros. O maior gasto calórico foi relacionado a maiores tamanhos nos lóbulos frontal, temporal e parietal, incluindo o hipocampo, o cíngulo posterior e os gânglios basais.

— A massa cinzenta inclui neurônios que funcionam na cognição — explica Raji. — As áreas do cérebro que se beneficiam de um estilo de vida ativo são as que consomem mais energia e, aos mesmo tempo, são muito sensíveis a danos.

A demência atinge mais de 35 milhões de pessoas ao redor do mundo vivem com a doença, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), e o número deve dobrar até 2030. O mal de Alzheimer é a maior causa para o problema e, atualmente, não tem cura.

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Já uma pesquisa publicada no Journal of Alzheimer’s Disease aponta que pessoas que correm mais de 24,6km por semana desde jovens têm 40% menos chance de ter Alzheimer. O mesmo estudo identificou que comer, pelo menos, três porções de frutas por dia e ingerir estatinas – para controlar o colesterol – reduz o risco de contrair a doença em 60%.

Os cientistas se basearam nas informações do Estudo Nacional da Saúde dos Corredores e no Estudo Nacional da Saúde dos Caminhantes, ambos dos Estados Unidos. Cada um dos mais de 154 mil participantes em um período de 11 anos) respondeu um questionário contando seus hábitos de treino, dieta, histórico de doenças, entre outros detalhes. Deste grupo, apenas 175 mortes aconteceram por conta do Alzheimer.

Segundo a pesquisa, as pessoas que correram de 7,4 a 12,9 km semanais não diminuíram as chances de sofrer com a doença. Por outro lado, as pessoas que caminhavam 24,6 km/semana tiveram resultados parecidos com os de quem corria a mesma distância.

Paul Williams, médico responsável pelo estudo, sugere que a atividade física aumenta a massa cinzenta em algumas áreas do cérebro em pessoas mais velhas.

Para manter o cérebro jovem, de acordo com pesquisa da Universidade do Texas é necessário correr. O estudo aponta que exercícios de longa duração ajudam a trabalhar o sistema cognitivo mesmo durante o envelhecimento. Para chegar a esta conclusão, os cientistas utilizaram 59 adultos, com idades entre 43 e 65 anos, divididos em dois grupos: 32 pessoas em ‘endurance’ (que faziam atividades de longa duração) e 27 indivíduos em ‘sedentários’. O grupo fisicamente ativo dedicava, em média, sete horas de sua semana para os treinos, enquanto os sedentários passavam menos de uma hora.

Um outro estudo, publicado no periódico médico Neurology, mostra que a falta de condicionamento cardiovascular em adultos está associada a ter um cérebro menor mais tarde, ao atingir a terceira idade.

Entre 1979 e 1983, o trabalho acompanhou mais de 1.500 homens e mulheres com idade média de 40 anos, que realizaram um teste ergométrico a 85% da frequência cardíaca máxima até a exaustão. Os resultados foram armazenados e, duas décadas depois, entre 1998 e 2001, os mesmos participantes foram novamente testados e, dessa vez, submetidos a uma ressonância magnética do cérebro. O que se observou foi que, quanto pior eram os dados de condicionamento na segunda etapa do estudo, menor era o volume da massa cinzenta, medido com a ressonância.

Mesmo com o encolhimento faz parte do processo natural de desenvolvimento do cérebro de qualquer pessoa, o estudo identificou que pessoas com resultados ruins no teste ergométrico – assim como aquelas que apresentaram pressão alta e frequência cardíaca elevada após o teste – tinham chance maior de ter o cérebro reduzido após 20 anos. O encolhimento representa queda no rendimento cognitivo e elevação do risco de sofrer doenças ligadas à velhice, como demência.

“É um estudo importante, bem conduzido e que avaliou por um longo período uma população grande”, afirma o neurologista Mario Peres, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, ao site Sua Corrida, que reforça que prática regular de atividade física ajuda no combate à atrofia cerebral. “O encolhimento prejudica a circulação e a oxigenação no órgão, o que acaba afetando a memória e as funções cognitivas”, diz o médico. “Além disso, um cérebro maior favorece a varredura dos radicais livres (partículas que comprometem o funcionamento das células) e está relacionado a níveis mais altos de neurotransmissores, substâncias com efeito no humor e nas emoções”, completa.