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Sabemos que uma ou duas cervejinhas depois do seu treino jamais fará mal e junto com água ajuda até a relaxar. Porém, no verão, os exageros são mais tentadores, e no calor do Rio de Janeiro fica muito mais fácil passar da dose. Consumir álcool em excesso logo após uma dura sessão de treino ou corrida pode atrapalhar sua recuperação por contribuir com a desidratação, interferir com a síntese de glicogênio e prejudicar a cicatrização.

O álcool é um diurético, por isso faz com que seu corpo perca mais líquido do que quando opta pelas bebidas não-alcoólicas. A desidratação resultante pode deixá-lo sentir cansado, com dor muscular ou lesões no dia seguinte. O álcool também pode interferir com a síntese de glicogênio, nossa principal fonte de energia. No fígado, inibe dramaticamente a resíntese das reservas de glicogênio e no músculo, prejudica seu armazenamento. Com isso, predispõe à lesões musculares, tendíneas ou até mesmo fraturas por estresse quando os exageros se tornam um hábito.

cerveja

Algumas pesquisas mostraram que é preciso quase o dobro do tempo para substituir as reservas de glicogênio em atletas que consumiram álcool comparado com aqueles que não o fizeram. No entanto, isso também pode ser devido ao deslocamento da ingestão de carboidratos em favor da ingestão de álcool. Contrariamente à crença popular, cerveja e vinho não são fontes significativas de carboidratos e contribuem muito pouco para recarga de carboidratos após o exercício. Portanto, não exagere na dose.

Bons treinos e boas corridas.

Dr. Sérgio Maurício, médico ortopedista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é especializado em joelho pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO)