Os joelhos costumam ser vítimas de uma série de problemas, entre eles a condromalácia patelar, também conhecida como “joelho de corredor”. A lesão caracteriza-se pelo amolecimento da cartilagem da patela, que pode evoluir para sua total destruição. O fisioterapeuta Igor Montenegro, diretor do Instituto Trata, especializado no tratamento de dores no joelho e no quadril, ajuda a entender a lesão.

“Pessoas que sentem dores no joelho ao correr, como a sensação de “agulhadas”, podem estar com condromalácia patelar. O quadro impossibilita que a pessoa execute normalmente o ato de esticar a pena e dobrar o joelho”, afirma Montenegro. “Por aumentar a pressão entre a patela e o fêmur, até mesmo subir e descer escada pode causar muita dor.  Os sintomas, em geral, são dor, rangidos ou estalos na região anterior do joelho, na hora de realizar agachamentos ou em situações que envolvam a flexão das pernas. Não existe uma causa exata, mas a sua etiologia pode estar relacionada com fatores anatômicos, histológicos e fisiológicos”.

Os principais sinais da patologia são:

– Inchaço por baixo da rótula do joelho;

– Dor constante no meio do joelho;

– Dor durante uma corrida, ao descer ou subir escadas e ao ficar muito tempo sentado.

A condromalácia patelar pode ser classificada em quatro níveis distintos, daí a necessidade de um tratamento o mais breve possível para que a cartilagem não fique inteiramente desgastada, culminando em sua perda total.

No caso do desgaste da cartilagem, a condromalácia afeta principalmente as mulheres jovens entre 15 e 40 anos, muitas vezes por conta da anatomia dos joelhos. Isso porque quando estes são voltados para dentro, ocorre o deslocamento da patela, que entra em contato com a lateral externa do fêmur e acaba sofrendo uma deformidade da cartilagem em seu interior.

Um diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento da lesão, que pode, nos casos mais graves de desgaste da cartilagem, levar o paciente até mesmo à intervenção cirúrgica. Para o diagnóstico preciso, deve-se buscar um especialista para realizar o exame clínico, por meio de radiografia e ressonância magnética.

Em casos menos graves, o tratamento indicado é baseado em fisioterapia, anti-inflamatório e viscosuplementação (injeção de substâncias no joelho para melhorar a nutrição da cartilagem).

“A fisioterapia pode auxiliar, especialmente, no fortalecimento de alguns músculos e de exercícios que enfatizam o alongamento. Músculos fortes permitem que o joelho tenha boa estabilidade, além de tornar atividades muito exigentes para o joelho, relativamente, mais leves. O treinamento de força também fortalece a cartilagem, deixando-a mais resistente aos possíveis desgastes”, diz Montenegro.

A seguir, uma reportagem da repórter e apresentadora Natália Varela, do programa Check Up, da TV Diário de Fortaleza, com o fisioterapeuta André Parente, sobre condromalácia patelar.

A fisioterapeuta Raquel Castanharo, em sua coluna no Eu Atleta, dá cinco dicas para reduzir a dor e a progressão da condromalácia patelar.

1) Aumentar a cadência da corrida
Um aumento de 10% da cadência diminui em 14% a compressão no joelho, que é uma força prejudicial à articulação.  A cadência representa o número de passos por minuto na corrida. Para medi-la, basta contar quantas vezes os pés tocaram o chão em um minuto. O número encontrado geralmente é algo em torno de 160. Então, para aumentar a cadência em 10% e assim diminuir a sobrecarga no joelho, o número de passos por minuto deve subir para 176 nesse exemplo. É importante ressaltar que esses números não são fixos. Se um aumento de 10% gerar desconforto ele deve ser adequado às necessidades pessoais do corredor.

2) Aterrissar o pé mais próximo ao tronco
Um aumento da cadência leva automaticamente à um padrão de aterrissagem mais próximo ao corpo. Colocar o pé muito para frente, com o joelho bem esticado, é uma das coisas que mais machucam o joelho na corrida. Então, tentar tocar o pé no chão o mais próximo possível do tronco é uma ótima estratégia para quem tem condromalácia.

3) Fortalecimento de glúteo médio
O músculo glúteo médio, que fica na lateral do quadril, é o principal estabilizador do joelho. Sem sua ação adequada o joelho fica desalinhado e sofre mais a cada passada. Por isso, quem tem desgaste nessa articulação deve manter esse músculo forte e funcionando bem durante a corrida. Uma sugestão de exercício básico é a elevação lateral da perna.

4) Controlar o impacto na corrida
Correr com boa absorção de impacto é fundamental no cuidado das lesões em corredores. Uma estratégia simples e eficiente para fazer isso é tentar correr fazendo pouco barulho a cada passada, pisando de forma controlada e suave.

5) Movimentar o joelho ao longo do dia
Quem sofre de condromalácia costuma ter dor ao ficar muito tempo sentado, com o joelho dobrado. Movimentar o joelho algumas vezes ao longo do dia costuma minimizar esse problema. Esticá-lo e dobrá-lo, mesmo sentado, já tende a diminuir a dor.