Espaço do Atleta: relato de Zezé Nascimento no El Cruce 2017

MUITOS MAIS QUE UMA AVENTURA, FUI MAIS UMA VEZ ME DESAFIAR
Começo a contar um pouco do que foi a minha experiência no El Cruce deste ano, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de fevereiro, em Bariloche, na Argentina.
El Cruce é uma corrida que está em sua 16ª edição. A ideia da corrida é unir Argentina e Chile em um percurso de aproximadamente 100km. A prova é sempre realizada no verão, já que o clima da Patagônia é muito estável, portanto devemos estar preparados para enfrentar o calor, o frio, a chuva e o vento, nos mais variados terrenos (neve, rochas, rios, barro, montanhas e terra batida)…

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Entre os três dias da prova, os participantes ficam nos acampamentos em barracas com vistas espetaculares. Ao chegar em Bariloche, é hora de pegar o super Kit da prova, tudo muito organizado. Na véspera, entregamos a mala do acampamento com os pertences, com as coisas que se usara somente no acampamento. Com o corredor ficam os documentos, as roupas da prova e a mochila que ira levar na prova. No dia seguinte, será dada a largada. Temos que acordar muito cedo, já que somos transportados por veículos para a largada.
El Cruce é uma prova de logística. Alimentação, hidratação, primeiros socorros, kit de sobrevivências, suplementação, remédios, roupas para frio e  calor têm que ser pensado e organizado antes. Minha participação nessa edição foi com muito pouco treinamento, mas a cabeça foi forte, com o meu mantra, que meu amigo Bernardo Tillman me disse: “Zezé, você é mais forte que pensa, mantenha sempre sua persistência e não tenha frescura”.
Na primeira etapa, eu não estava pensando em resultado. Corri com muita tranquilidade, curtindo o visual único das montanhas. Estava muito feliz por correr a prova. O meu objetivo era completar as três etapas. Quando cheguei no acampamento La Querencia Lago Mascardi, fui olhar o resultado. Vi que estava na nona colocação geral e a quarta na faixa etária. O mantra veio na cabeça: “Você é mais forte do que você pensa”. Comecei a acreditar que era possível lutar para uma melhor colocação e, assim, decidi ir buscar, mesmo sabendo que a segunda etapa seria mais dura. Procurei descansar, me alimentar bem e ainda pude contar com o apoio do fisioterapeuta Marcelo Alves Araújo, para me recuperar não só do dia, mas para me dar suporte para as próximas etapas.

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Larguei para a segunda etapa com uma vontade inabalável de vencer. Comecei a correr. A altitude e vários terrenos muito difíceis castigou os corredores. O percurso foi muito duro.   Não consegui curtir a paisagem. Estava em uma luta para alcançar meu objetivo. O  resultado foi melhor que eu esperava. Dominei a prova. Estava em terceiro no geral praticamente quase até o final, mas nos últimos quilômetros perdi a colocação, e fui para o quarto geral, mas com muita alegria e gratidão a Deus. Estava radiante. Meu objetivo era ser terceira na minha faixa etária. Tinha certeza que estava em quarto no geral e a primeira na faixa etária. Uuruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
Chegando no acampamento Los Baqueanos Lago Gutíerrez, fui presenteada por uma bela paisagem, lindíssima.
Na terceira etapa já tinha quase certeza que a prova já estava praticamente definida. Estava muito forte e confiante que conseguiria manter meu resultado. Curti muito a paisagem, com muita alegria, intensidade e gratidão. O coração batia muito forte a cada quilômetro final. Quando avistei a chegada do alto da montanha, o cansaço se transformou em uma alegria única. Foram muitas lágrimas de felicidade e gratidão por ter tido a oportunidade de estar no El Cruce, conhecendo novas pessoas, novos lugares e descobrir uma força em que eu mesma não acreditava: “EU SOU MAIS FORTE DO QUE EU PENSO”. Foi assim que venci a mim mesma, terminando na primeira posição na faixa etária entre 40 e 50 anos, com o tempo de 14h05m43s, a quarta entre as mulheres e na 131ª colocação geral.
Tenho um encontro marcado com você, EL CRUCE, em 2018.

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