O carioca Iazaldir Feitoza é um dos principais atletas de elite de trail running da América do Sul. Com títulos em várias provas no Brasil e no exterior, ele, que está se preparando para correr a Patagônia Run, em San Martin de Los Andes, nos dias 7 e 8 de abril, escreve como é o seu preparativo antes de começar a treinar…

O intervalado é aquele método que você chora para acabar e reza para não começar. Meu aquecimento é composto por um trote leve de 15 minutos, seguido de uma série de educativos. Até aí tudo bem, mas o ritual que faço para começar é algo imaginável.

Olho para o tênis e, mesmo tendo a certeza que o cadarço está bem ajustado, o desfaço e o ajusto de duas a três vezes. Jogo água nos pulsos, na cabeça e no rosto. Saltito para um lado e outro. Mesmo sem o treinador me dirigir a voz, tento arrumar assunto com o intuito de, quem sabe, fazê-lo mudar de ideia e altere a série que tenho que fazer. Detalhe, o treinador sou EU.

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Não da para se enganar. Não consigo mais adiar. Quanto mais tardio fica, mais a temperatura sobe. Ok! O jogo mental continua. Vamos lá, você consegue. Você já fez isso inúmeras vezes. Porra, eu sei que consigo. Vou acabar logo isso.

O primeiro tiro é aquele que serve de referência para encaixar o ritmo. Já percebeu que ele sempre sai entre três e cinco segundos para mais ou para menos que o previsto. Ao término de cada estímulo, xingo, falo só, torço para que apareça alguém que puxe papo para ganhar cinco segundos de descanso a mais.

Continuo falando. A frequência respiratória está lá em cima. Sinto como se tivesse um bichinho preso em minha garganta, querendo pular para fora da minha boca. Ok!

Vamos lá. Só falta mais um. Você já chegou até aqui e agora não vai arregar. Putz, que delicia, terminei. Se tivesse que definir o que foi isso, diria que é como passar pelo inferno antes de chegar ao céu.

Iazaldir Feitoza