Espaço do Atleta: Ana Luiza Faria Matos, campeã dos 300 – O Desafio

Finalmente chegou o grande dia, que foi esperado por alguns meses, quando fui desafiada com mais 24 pessoas para percorrer 300km pelas montanhas da Mantiqueira, pelo Caminho Velho da linda Estrada Real.
 No inicio da jornada, no dia 21 de abril, uma felicidade sem igual e, ao mesmo tempo, mesmo com a garantia de todo o treinamento feito, nada te dá a certeza de que tudo dará certo no final.
 Comecei a percorrer o caminho com a mesma cautela que sempre uso em cada desafio que me proponho. Fazia um sol forte, mas, no entanto, um vento frio teimava em nos enganar, induzindo a falsa impressão de que não precisava se hidratar.
No início, minha estratégia seria percorrer os 26km sem apoio, e, após um leve reabastecimento, percorreria mais 14km ainda sem apoio. No Km 40, faria uma refeição leve.

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O caminho inicial nos proporcionou paisagens exuberantes e alguns pequenos riachos a serem transpostos. Por duas vezes tirei os tênis para preservar os pés secos. Dessa forma, evitei feri-los, levando em consideração que ainda era início de uma longa jornada. O caminho era sensacional, embora estivesse cautelosa para evitar me perder.

Após a refeição, minha meta era chegar logo no Km 60, onde teríamos uma travessia de balsa para transpor um lago entre as pequenas cidades de Caquende e Capela do Saco. No momento que chegamos, eu e meu amigo de equipe Claudio Pereira (campeão geral do desafio), atravessamos o lago em uma moto aquática e permanecemos juntos até o Km 78. No entanto, era desconfortável para nós dois estarmos juntos, pois Claudio estava em um pace mais rápido que o meu. Assim que as nossas equipes de apoio nos alcançaram, cada um seguiu no seu ritmo.
Estava muito feliz ao chegar na cidade de Carrancas. Aproveitamos para tomar um banho e trocar de roupa. As estradas de terra batida por todo o caminho nos deixavam muito sujos de poeira. Cuidei dos pés, fiz a minha única troca de calçado e pé na estrada, levando comigo uma pequena refeição quentinha para renovar as energias. A noite, ainda de poucas estrelas e uma lua pequenina, me fazia usar duas lanternas para continuar na rota certa, até o momento em que a equipe de apoio veio ao meu encontro.
Após mais alguns quilômetros, resolvi fazer uma pequena parada de uma hora, para que a equipe de apoio também pudesse descansar. Mas já tinha em minha cabeça prosseguir com algum companheiro madrugada adentro. Tive a companhia desses parceiros, Adriano Melo e sua acolhedora e atenciosa equipe até a cidade de Cruzilia, totalizando mais da metade do percurso. Me emocionei demais nesse momento. Uma felicidade sem igual.
Paramos ao encontrarmos brevemente a minha equipe de apoio para degustar um delicioso pão de queijo com guaraná regional da Mantiqueira e continuei a seguir o meu caminho. Nesse momento, minha fisioterapeuta Isabel Siqueira, uma das pessoas que integrava com muita doçura e competência, a minha equipe de apoio, teve que retornar para o Rio de Janeiro por causa de um compromisso particular. A equipe deu continuidade, com a minha nutricionista e também ultramaratonista Tatiana Sampaio e meu marido Alexandre.

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Como choveu durante a madrugada, nosso carro de apoio, por não ser 4 x 4, tinha que me deixar sozinha por trechos que não podia transpor e fazer o contorno pela estrada e me encontrar mais à frente. Mas o dia me trouxe muita energia e motivação. Logo o sol chegou implacável. Cuidei muito bem da minha hidratação, fundamental para concluir com êxito o desafio.
Segui até Baependi, onde reencontrei minha equipe de apoio e também outros amigos que percorriam o caminho. Depois cada um seguiu o seu ritmo e fui sozinha até Caxambu e, logo depois, São Lourenço até chegar novamente na estrada de terra à noite, que estava linda e estrelada. Seguimos juntos até Pouso Alto. Paramos em um bar, onde fiz a minha segunda troca de roupa. Me alimentei, não troquei meu tênis e seguimos caminho, passando pelas cidades de São Sebastião do Rio Verde e Capivari, até uma granja onde, eu e minha equipe de apoio, nos separamos para nos reencontrarmos em Itamonte.
Foi um dos lugares mais lindos que tive o prazer de conhecer. A partir dali, ao longo do caminho, um barulho ensurdecedor de água, mas como estava uma noite escura, não pude ver a cachoeira. Quase no fim teria de atravessar um riacho, com água muito gelada, com muita correnteza, que cobria até o joelho, levando o meu cajado. Foi bom, porque me despertou completamente e segui margeando o rio até uma estrada que me levaria a cidade de Itamonte, onde reencontraria minha equipe de apoio. Estava me sentindo bem demais e motivada por faltar apenas mais duas cidades para o fim: Itanhandu e Passa Quatro.
Em Itamonte, por um instante, me desencontrei da minha equipe de apoio, o que me custou mais de uma hora perdida. Nos reencontramos e seguimos juntos, passando pela cidade de Itanhandu, chegando em Passa Quatro. Fizemos um tour de 12km pela linda cidadezinha. Era quase o fim do caminho. Ainda faltava um trecho de 6 km em direção à Caxambu e mais 1 km de uma íngreme subida até a grande e magnifica chegada no Pico da Gomeira.

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 Muito feliz por ter a honra de ser desafiada pelos organizadores da prova, Fernando Nogueira e Paola, em sua edição pioneira.
Gratidão ao coach Alexandre Ribeiro, a fisioterapeuta Isabel Siqueira e a nutricionista Tatiana Sampaio. Anjos que me acompanharam pelo caminho real e me fizeram chegar em terceiro geral e na primeira colocação feminina.
Ana Luiza Faria Matos

1 comentário Adicione o seu

  1. Alvanildo dos Reis Mendes disse:

    Que narrativa espetacular, grande fera de Maratona – Ana Luiza, a perda de seu Cajado, com águas geladas até os joelhos, foi um dos pontos que tocou, na sua Grande trajetória, dessse grande desafio.
    Parabéns para você e sua nobre equipe.

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