Aos 71 anos, Dona Lindalva encara pela segunda vez os 42.195 metros da Maratona do Rio, neste domingo

Por Iúri Totti e André Sant’Anna*.

Lindalva Pereira da Silva Figueiredo nasceu em Recife e começou a correr aos 64 anos. Em 2016, com 70, ela completou sua primeira maratona, no Rio de Janeiro. No próximo domingo (18/6), Dona Lindalva, como é carinhosamente conhecida por outros corredores, vai encarar pela segunda vez os 42.195 metros, novamente na Maratona do Rio. Aos 71 anos e muito entusiasmada, a atleta conversou com o Blog do Iúri Totti e contou como foi a sua preparação e como está a sua motivação para a prova.

Dona Lindalva, ao lado da filha Claudia Figueiredo, exibe orgulha sua primeira medalha em uma maratona, conquistada ano passado no Rio
Dona Lindalva, ao lado da filha Claudia Figueiredo, exibe orgulha sua primeira medalha em uma maratona, conquistada ano passado no Rio

Como é fazer sua segunda maratona?

Quando comecei a correr não imaginava chegar tão longe. Fazer a primeira foi sensacional, recebi carinho antes, durante e depois. Ainda recebo. Mas o treinamento é desgastante, acordar de madrugada, correr no sol, na chuva, feliz, chateada, subidas, areia… Mas a linha de chegada faz tudo valer a pena. Esta segunda maratona será especial, apesar de conhecer o percurso, irei sozinha (na primeira, ela correu ao lado da filha Claudia Figueiredo), aí terei que trabalhar minha mente a cada quilômetro. Minha filha me conhece melhor que eu me conheço. Sabe ver no meu ritmo se posso apertar ou não, sabe quando devo beber água ou isotônico. Agora será tudo comigo, o que pra mim será um baita desafio.

Qual sua expectativa para esse ano?

Será um desafio correr tanto tempo sem a minha filha, mas como já conheço o percurso fica um pouco mais fácil. Quero fazer mais ou menos o mesmo tempo do ano passado (5h32m) e, nos quilômetros finais, espero ter a Claudia me puxando como sempre, pois ela consegue me fazer correr mais rápido mesmo já estando bem cansada. Espero corresponder à expectativa dela e de todos.

O que se passou nesses 12 meses?

Foi um ano de sustos, mas foi bom. Em novembro, fui atropelada por uma moto, mas graças a Deus foi simples e só tive escoriações. Já em abril o susto foi grande. Passei mal na escola devido a uma discussão e me levaram para a UPA de Botafogo. Rapidamente a Claudia chegou e o médico disse a ela que eu tinha tido um AVC, não falava e não mexia o lado esquerdo do corpo. Em poucas horas fui recuperando a fala e mexendo a mão, depois a perna esquerda e só fiquei dois dias internadas. Fiz uma tomografia do crânio, que não constatou nada. Então tive apenas um ataque isquêmico transitório. Todos os médicos me disseram que eu fiquei tão bem em pouco tempo por causa da atividade física e aos estudos.

Como é servir de inspiração para as pessoas, sejam elas mais novas ou mais experientes?

Não faço nada pensando nisso. Corro porque amo e me faz bem. Mas vi que muita gente se inspira em mim e isso me deixa feliz. Espero estar ajudando as pessoas a se mexerem, a verem que é possível correr em qualquer idade e até fazer maratonas. Não posso ficar de mimimi e tenho que treinar cada vez mais para estar sempre bem e completar todas as provas que estiver inscrita. Todo mundo pode, basta ter força de vontade e sempre dar o melhor de si. Não tem como cortar este caminho, tem que querer e se dedicar. Não queira ser a Dona Lindalva amanhã, seja hoje, pois o amanhã pode até não chegar.

Qual será a estratégia para a prova deste ano?

A de sempre: curtir e completar. Tentarei fazer parecido com a do ano passado, correr sem parar até o Elevado do Joá e, depois, intercalar corridas e caminhadas fortes até encontrar minha filha  e daí tentar ir com ela um pouco mais forte. Mas sempre curtindo e me divertindo. A Claudia me ensinou que correr é prazer, é uma brincadeira feita com responsabilidade e respeito.

Qual seu volume de treinos?

Este ano perdi algumas semanas de treinos, mas consegui, em algumas, chegar a 62km. Treinei um pouco menos, mas treinei mais forte. Subi a Serra Xerém-Petropólis, a Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu, fui ao Cristo algumas vezes. Agora é relaxar e esperar o dia 18 chegar e, mais uma vez, com muita alegria e emoção, correr a Maratona do Rio.

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*André Sant’Anna é baterista nas horas vagas e jornalista, vai disputar sua sexta prova de 42km na Maratona do Rio, representando o Blog do Iuri Totti, a convite da Tom Tom Sports. Ele começou a correr em 2007 com o sonho de completar uma prova de rua. De lá para cá, completou cerca de 60 provas. Além das maratonas, fez 20 meias maratonas e uma ultramaratona. As outras provas foram de 5 e 10 quilômetros.

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