O Dia pós maratona: corpo dolorido e a alegria do objetivo alcançado

Quando um amigo me pergunta por que decidi correr maratonas, costumo brincar respondendo que me meti nessa por pura ignorância. Afinal, não fazia ideia do quanto uma corrida de 42.195 metros poderia mexer com meu corpo e a minha mente. Mas se a primeira experiência foi por falta de conhecimento, posso garantir que quando larguei na manhã deste domingo (18/06), sob sol forte, para tentar a minha sexta maratona, eu tinha certeza de tudo o que poderia fazer e alcançar durante a prova.

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Termômetros marcavam 25°C no momento da largada

Os termômetros marcavam 25°C, quando às 7h30 foi dada a largada para a 15a edição da Maratona do Rio de Janeiro, na Praça Tim Maia, no Pontal. Cercado por outros 11.000 atletas, logo no início me posicionei do lado esquerdo do percurso e desde os primeiros metros passei a buscar o primeiro dos meus seis objetivos definidos para a corrida. Uma das estratégias que adoto para provas longas é dividir os quilômetros em metas menores. E posso dizer que as três primeiras marcas definidas (do km 0 ao km 5, do 5 ao 12 e do km 12 ao 21) foram alcançadas com certa facilidade.

Não faço provas para tempo. Porém, o pace é um termômetro de como meu corpo vem reagindo à prova e ao esforço. Se na primeira parte da prova eu consegui correr a 6 minutos por quilômetros, sabia que para os outros 21 quilômetros eu ia precisar reavaliar meus planos.

Para a segunda metade da prova, as minhas outras três divisões eram: dos quilômetros 21 ao 30, do 30 ao 36 e do 36 à linha de chegada. Enquanto muitos atletas consideram que a subida da Avenida Niemeyer é o grande bicho papão da prova, para mim a subida do Joá é a pior parte. Apesar de menos íngreme, o asfalto nesse trecho, entre os quilômetros 21 e 24, é irregular e por vezes inclinado para o lado direito. A recompensa vem com um pouco de sombra e um visual incrível logo na saída do primeiro túnel.

Se até aquele momento da prova eu cogitava até mesmo fazer o meu melhor tempo em maratonas, chegando em São Conrado, pouco antes de começar a subir a Niemyer, no km 25, o meu peso um pouco acima do ideal começou a cobrar a conta. Foi então que precisei diminuir muito o meu ritmo para conseguir completar a prova inteiro.

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Cada atleta leva consigo as suas motivações, desafios e objetivos. No meu caso, corro sempre com a minha família em mente e ouvindo música. As maratonas são para mim um legado que transmito aos meus filhos. Corri essa prova com alegria e grato por mais uma oportunidade. Curti cada trecho, administrei as minhas dores, dei apoio aos atletas que pela primeira vez encaravam os 42.195 metros. No fim, o melhor presente: ser recebido na chegada pela minha esposa e meus filhos, além de uma multidão de anônimos que me estimulavam a completar aqueles metros finais. E hoje, apesar de algumas dores e certa dificuldade para subir escadas, a alegria e o orgulho de mais uma prova completada.

André Sant’Anna é baterista nas horas vagas e jornalista, correu sua sexta prova de 42km na Maratona do Rio, representando o Blog do Iuri Totti, a convite da TomTom Sports. Ele começou a correr em 2007 com o sonho de completar uma prova de rua. De lá para cá, completou cerca de 60 provas. Além das maratonas, fez 20 meias maratonas e uma ultramaratona. As outras provas foram de 5 e 10 quilômetros.

 

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