Data de partida: 18 de Junho. Até 2 de Setembro foram duas maratonas e uma ultra. Sendo que Itaipava, no dia 1º de julho e agora, na Mizuno Uphill, foram as provas trail e asfalto mais difíceis que já participei. Então, obrigado Papai do Céu pela estrutura que me deu e obrigado Marcelo Duarte pelo treinamento. Menos de dois meses e meio para isso tudo não é nada mais que uma “planejada loucura”.

A Mizuno é a prova mais estratégica e mais “cabeça” que já participei por alguns motivos:

1) Os primeiros 24km são uma sucessão de subidas  e descidas não altas, mas longas e com a mesma paisagem o tempo todo. Vão te minando. E você precisa fazer isso em até 3 horas (corte 1). Minha preocupação não era o corte, mas fazer esse trecho o mais rápido que pudesse para “ter uma gordura” para o trecho que viria. E, junto ao rápido, o cauteloso, para não “faltar perna” no final.

2) Passei esses 24km com um handicap de 35 minutos e, a partir daí, desandei a fazer contas de km em km. Faltam 18km, 3 horas e meia de prova e uma parede (o corte 2, na chegada, era de 5 horas e 59 minutos – quem não chegar dentro desse tempo não recebe medalha e nem a camisa finisher).

3) Do km 24 até o 32, o objetivo era trotar o máximo que conseguisse a cada km. A subida real começa. Constante, ainda não íngreme, mas você sente que ela está lá. Eu já tinha começado realmente a correr “com o regulamento embaixo do braço”.

4) Você que já correu uma maratona conhece o “fantasma” dos 32km. Na Uphill, o fantasma começa no “rodapé da parede” e não num plano. Do Km 32 até o 35, o jeito foi rezar para São Panturrilha, Santa Coxa, Santo Adutor… Até as costas começaram a doer devido a inclinação.

5) O “marco” da prova é uma Capelinha azul na beira da Serra. Um colega que já fez a prova disse: “A partir daí, o bicho pega”! Pensei: Mais? Não consigo descrever os 6km seguintes. Mais fácil ver no Google alguma foto do trecho final da Serra do Rio do Rastro. Um gigantesco paredão com uma sequência infinita de cotovelos. Para quem já esteve no Cristo, a parte final da subida, a partir do primeiro estacionamento, mas 6km. É de “beijar o chão”. Planejamento bem feito, pude caminhar (caminhar não, dar pequenas passadas) nos kms finais.

6) Pela Serra vi muitas pessoas sendo atendidas. Estava quente e seco. A Organização foi perfeita (antes, durante e depois). Mas na Mizuno tive a constatação que muitas pessoas correm porque acham algumas provas bonitas. Não porque estão preparadas. Do grupo de seis pessoas que ficaram no mesmo hotel que eu, apenas eu e um rapaz terminamos sem cortes.

7) Ufa! Acabou. A Serra. Ainda tinham 1km e pouco até o pórtico. Voltei a correr. Solto, alegre, sonhando, realizado… Estratégia e “cabeça” deram muito certo. Vieram o pórtico, a medalha, a camisa de finisher, Rejanny (que mulher é essa?) e o choro.

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Renato, com a camisa de finisher, Rejanny e a Serra do Rio do Rastro

Dentro do Brasil nunca havia participado de uma prova com uma organização como essa da X3M. Para mim, perfeita. A Arena de chegada então, era brincadeira. Local coberto com diversas opções de hidratação e alimentação, banheiros completos, local para troca de roupa, bancos…

Só tenho que indicar a prova. Faça, mas treine muito. A Serra requer preparo e “cabeça” bem sintonizados. Fazer uma prova que tenha um alto grau de dificuldade associado a tempo de cortes é um desafio e tanto, mas como está escrito na medalha: “AQUI SE FABRICA LENDAS”.

Próxima!

Renato Coelho