Espaço do Atleta: Pelos 21,7km do XTerra Estrada Real, natureza, lama, escuridão… por Rodrigo March

Este ano resolvi sair um pouco do asfalto. O primeiro desafio foi a Wine Run, em Bento Gonçalves. No último fim de semana, participei da etapa Estrada Real do XTerra, em Tiradentes. Foram 21,7km à noite, em meio a estradas rurais, trilhas e paralelepípedos. O percurso é bem bacana para quem gosta do contato com a natureza, mas foi prejudicado em vários trechos pela lama (tem gente que gosta) e, no meu caso, pela falta de visibilidade. Isso porque escolhi uma lanterna fraca para enfrentar a escuridão no caminho. Inclusive, sugeri à organização que passe a indicar a intensidade mínima de luz recomendável, pois o equipamento é um item de segurança.

Após chover o dia inteiro, largamos às 19h30min. O início requer bastante atenção com as pedras do calçamento histórico de Tiradentes, que apresentam buracos entre elas. Segui a orientação do meu treinador, procurando levantar bem os pés nas passadas e atento aos buracos. Logo vieram os paralelepípedos saindo do Centro histórico e, a partir desse ponto, menos iluminado, percebi que a lanterna não daria conta do recado. A situação piorou quando entramos em estrada rural. Procurei correr perto de um grupo com lanternas melhores e que seguia em um ritmo que dava para eu acompanhar. A essa altura, minha preocupação era chegar sem me machucar.

Fomos juntos até uma bifurcação onde soube depois, ao longo do trajeto, que muitos corredores erraram o caminho. O caminho correto era entrar à esquerda em curva bem acentuada, mas muitos atletas foram adiante seguindo o fluxo por até quatro quilômetros… Nós paramos e procuramos a sinalização com as lanternas. Deveria haver alguém da organização ali.

Rodrigo March no XTerra Estrada Real
Rodrigo March no XTerra Estrada Real

Aos poucos, o grupo foi se separando em ritmos diferentes. No primeiro trecho mais “ensaboado” de lama, decidi retirar os fones do ouvido para ficar mais atento aos avisos dos colegas à frente. Por volta do km 8, também parei para pegar a lanterna extra que levei para o caso de a bateria não durar. E fui com as duas lanternas, uma em cada mão. Em trechos mais claros, desligava uma para economizar e já pensava, se necessário, usar a lanterna do celular.

Marinheiro de primeira viagem nesse tipo de prova, aprendi ainda o que era um mata-burro, aqueles pequenos estrados de madeira feitos para impedir a fuga de animais das pastagens. No primeiro, havia gente da organização alertando. Depois, você fica esperto…rs

Conheci algumas pessoas durante o percurso. A dificuldade aproxima. Eu estava bem preparado para a inclinação, mas preocupado o tempo todo em não me acidentar. Um parêntesis aqui: é preciso estar bem treinado, já que o resgate demora, mesmo com a presença de militares no trajeto. Um dos novos colegas fazia sua primeira meia maratona após correr provas de 9km e 15km. Com outro, conversei sobre tênis de trilha e lanternas mais potentes. Já um treinador de atletas que subiram ao pódio mais cedo, na ultra de 50km, dizia que estava correndo a meia para espairecer. Após um pouco de prosa, ele deu sinal para eu prosseguir, pois não iria me acompanhar, mas me alcançou na chegada.

Rodrigo March no XTerra Estrada Real
Rodrigo March no XTerra Estrada Real

Voltando do vilarejo de Bichinho, em frente ao restaurante Pau de Angu, estava o último dos três pontos de hidratação (suficientes) antes de adentrar no meio do mato novamente. Faltavam uns quatro quilômetros e a subida mais longa. Próximo do fim, já podia ouvir o som da civilização. Porém, pouco antes de pisar na reta final de paralelepípedos, talvez tenha relaxado e levei dois tombos feios por causa do lamaçal, que, naquele ponto, já poderia ter sido removido pela organização segundo atletas mais experientes.

Cruzei a linha de chegada com 3h28min, mais do que as 3h que previa pela chuva. Mas terminei me sentindo bem, ileso apesar dos estabacos e mais experiente certamente.

Deixe uma resposta