No Globo: Villar relata os desafios e a fé na superação do recorde de Caminho de Santiago de Compostela

Por Tatiana Furtado.

Do Blog Pulso (1/11). De volta ao Brasil, após bater o recorde do Caminho de Santiago de Compostela, o ultramaratonista Márcio Villar conversou com o Pulso sobre o desafio de fazer os 820km em 6 dias, 11 horas e 2 minutos, e superar em 3 horas e 47 minutos o tempo do espanhol Óscar Pasarin, de 6 dias, 14 horas e 49 minutos, obtido ano passado.

Num local de peregrinação, a fé foi fundamental para que o carioca de 50 anos suportasse todas as intempéries e as dores do corpo. Antes de partir da cidade francesa de Saint Jean, ele rezou para Nossa Senhora de Aparecida.

  • Fui a uma igreja em frente ao local da largada, acendi uma vela e rezei para ela. Cheguei a chorar de emoção – relembra Villar.

A grande preocupação do ultramaratonista era a prótese de titânio colocada no quadril em dezembro passado por causa de uma doença autoimune. Ela resistiu aos mais de 130km, em média, de percurso diário. Agora, ele fará uma revisão com a equipe médica para saber o real desgaste após o esforço.

Os principais obstáculos, no entanto, foram o frio, a ventania e a falta de direção. Muitas vezes foi difícil achar as setas que indicavam o caminho nas grandes cidades durante a madrugada. Villar se viu perdido no frio, dormiu nas ruas e bateu na porta de desconhecidos para se reencontrar.

  • Os três primeiros dias foram de calor, com mais de 30 graus. Os outros dias foram de muito frio. Cheguei a correr com 1 grau e muita ventania contra. Havia horas que tinha a sensação de não sair do lugar tamanha a força do vento. Correr pelas muitas montanhas também foi difícil, pois há muito cascalho pelo caminho, que machucam bastante as solas dos pés – relata ele, que, no entanto, nunca pensou em desistir. – Cheguei a pensar que não daria tempo de bater o recorde, mas desistir nunca.

Cruzada a linha de chegada na cidade espanhola, Villar sabia que o dever estava cumprido. Não apenas pelo recorde. Principalmente pelo Projeto Juquinha, que atende 130 crianças especiais, em Paragominas, no Pará.

  • Agora espero que os empresários façam a parte deles ajudando o projeto – disse Villar, que já definiu a próxima competição. – São os 100km no Rei e Rainha do Mar, em dezembro. Vou correr na areia para que a organização pague mais dois transplantes de coração para duas crianças. Com isso, totalizarei 30 transplantes pagos.

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