Espaço do atleta: Relato de Ana Luiza Faria de Matos, campeã geral do 300 – O Desafio, em Minas Gerais

“No fim de semana de 22/03, às 8h, começamos a percorrer os 300km da linda Estrada Real, entre Tiradentes e Passa Quatro, em Minas Gerais, no 300 – O Desafio.

Seria minha segunda vez. No ano passado havia percorrido o caminho com outros 20 atletas. Como eles, era uma pioneira nesta prova. Agora, seria a primeira edição e eu não queria ficar de fora.

Ainda bem!!!

Por conta das condições climáticas, chuvas torrenciais que castigaram Minas Gerais nos dias que antecederam a prova, o cenário mudou completamente. O que antes eram riachos de águas cristalinas, viraram charcos cheio de lama a serem transpostos.

Todos sofreram demais com os pés castigados, e muitos atletas desistiram no inicio.

Segui firme. Meu receio seria me perder como no ano anterior, levada pela distração ou mesmo por impulso de seguir adiante sem confirmar rota.

Se os caminhos já eram lindos, com as chuvas sua vegetação estava deslumbrante.

Os desafiadores dos 300
Os desafiadores dos 300

Corri sempre contra o tempo, pois haviam dois pontos de corte. O primeiro ponto de corte no Km 60, onde pegaríamos uma barca para fazer a travessia de Caquende para a Capela do Saco; e o segundo ponto de corte no Km 150, na cidade de Cruzília.

Em minha memoria, a segunda parte da prova me desafiava em uma travessia por uma cachoeira. Linda, mas eu não nado e tenho pavor (rs) de água fria. Já esperava por esse momento critico e, logo após a travessia, a marcação dos totens da Estrada Real requer atenção e uma certa habilidade para se orientar em trilhas para percorrer o caminho.

Como já era tarde, por volta das 2h da madrugada, mesmo com as lanternas, demorei em achar o caminho, repetindo o episodio do ano anterior (rs). Mas isso me deu a maior energia para seguir firme, pois, ao fim deste trecho, sabia que teria um pequeno parte de asfalto, que me favoreceria em ganhar terreno.

Fiquei muito feliz ao avistar a minha equipe de apoio, que estava logo do começo deste trecho, o que me fez correr sem todo o material, que em alguns momentos, mesmo sendo da categoria com apoio, precisava, pois ficava só e por ser uma questão de segurança obrigatória.

Alguns trechos a partir de Itamonte foram modificados completamente, tornando o percurso muito mais duro, apesar de lindo.

Meus pés sofreram muito com descidas com muitas pedras. As subidas, em particular, eram muito mais fáceis, apesar de quase tocar o céu, céu esse que nos presenteou com uma noite linda carregada de estrelas. Quase consegui tocar algumas. E o dia amanhecendo que lindo, de um rosa alaranjado sem igual.

No ultimo trecho depois de Itanhandu, a prova se tornou outra com um percurso desconhecido e deslumbrante. Faltando menos de 30km para chegada, me perdi por aproximadamente 4km.

Na edição pioneira em 2017 deste desafio, percorremos todo paralelepípedo e asfalto do centro de Passa Quatro. Mas a organização nesta edição de 2018, retirou este trecho e nos colocou uma montanha implacável que castigava os meus já muito sofridos pés. Fiz esse percurso praticamente todo em marcha (caminhada), mas contei com a companhia de uma teimosa cadelinha que só no inicio atravessava na minha frete muito próximo dos meus pés, depois seguiu firme completando comigo a jornada de um dia de sol implacável.

Ao chegar, descobri, feliz e com surpresa, ser a campeã geral da prova, completando o caminho em 51 horas e 35 minutos – o segundo colocado, Itamar Bernardinelli Alves, fechou a prova em 55 horas e 48 minutos. O que coroou não só um mês de conquistas e lugares lindos, mas de tanto tempo e preparações envolvidas.

Grata a preparação mais que perfeita do Coach Alexandre Ribeiro, da fisioterapeuta Isabel Siqueira, da nutricionista Tatiana Sampaio e do apoio da Academia Fernandes.”

Ana Luiza Faria Matos

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