Yuki Kawauchi, vencedor da Maratona de Boston, anuncia que vai se tornar profissional em 2019

Profissional? Amador? Uns apontam que ele está na primeira categoria, outros que está na segunda. Yuki Kawauchi, vencedor improvável da Maratona de Boston na última segunda (16/4), com 2h15m58s, marca mais lenta dos últimos 42 anos, desfez as dúvidas ao afirmar que deixará seu emprego de inspetor em tempo integral em uma escola pública em Tóquio: “A razão número 1 de eu deixar a escola é que eu quero competir em nível global”, disse Kawauchi ao desembarcar no aeroporto de Narita.

Antes de seu retorno ao Japão, por ter sido o vencedor em Boston, Kawauchi teve que participar da entrevista coletiva, o que o obrigou a adiar sua viagem. Momentos antes da conversa com os jornalistas, o campeão entrou no banheiro do restaurante Red Lantern, no centro da cidade americana, para ligar para seu chefe para explicar a situação e pedir mais um dia de folga. O diretor da escola deu-lhe os parabéns e aceitou seu pedido. No papo com a imprensa ele disse: “Acho que não havia uma única pessoa em Boston que achasse que eu ganharia”

Dez curiosidades sobre o japonês Yuki Kawauchi, o improvável campeão da Maratona de Boston

Para a imprensa que o esperava em Narita, Kawauchi disse que daqui a um ano se tornará um maratonista em tempo integral, pois atualmente seu trabalho o impede de aceitar patrocínios. Ele trabalha 40 horas por semana e treina em suas folgas, pagando pelo treinamento em vez de competir por uma equipe profissional. “Não melhorei meu melhor tempo nos últimos cinco anos. Eu preciso mudar essa situação.”

Yuki Kawauchi sorri com seu feito na Maratona de Boston
Yuki Kawauchi sorri com seu feito na Maratona de Boston

Depois de anos fazendo malabarismos e lutando para sobreviver, Kawauchi afirmou que viu o prêmio de US$ 150 mil que recebeu por ganhar a Maratona de Boston – seu primeiro grande título – como uma oportunidade de se comprometer totalmente com a maratona. “É realmente espero que minhas preocupações financeiras tenham acabado”, disse ele, que tinha dias de nascido quando o compatriota Toshihiko Seko foi bicampeão em Boston. “Eu corro muitas corridas porque eu amo correr”.

Nas piores condições registradas em Boston durante uma maratona – tão frias e úmidas que muitos corredores de elite, como o americano Galen Rupp, vencedor da Maratona de Chicago 2017 e medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, eram tratados com hipotermia -, a corrida exigia de alguém calejado para enfrentar a chuva constante, o vento e o frio. Esta corrida exigiu que alguém que amasse correr mais do que o suficiente para suportar a dor dos 42km. A experiência de Kawauchi pode não fazer dele um candidato ao pódio em dias claros em Londres ou Berlim, mas na segunda-feira passada, em Boston, as condições eram exatamente as que fizeram o japonês ser o melhor.

Ter disputado a Maratona de Marshfield, no dia 1º de janeiro, com temperatura de -20ºC, segundo Kawauchi, lhe deu ajudou em Boston. “Ter corrida em Marshfield me deu um pouco mais de experiência para estar pronto para o que aconteceu em Boston”, disse Kawauchi. “Acho que as condições foram fundamentais para poder vencer.”

Essa 122ª edição da Maratona de Boston entrará para a história como uma prova em que  três atletas de alto rendimento africanos terminaram. Corredores amadores superaram campeões. Professores e enfermeiros terminaram à frente de atletas patrocinados por grandes marcas esportivas. E nesta quinta (20/4), um trabalhador foi trabalhar na Escola Secundária Kuki, em Tóquio, com US$ 150 mil na conta, mas de volta ao escritório. Kawauchi cumpriu suas obrigações antes de viajar para a Meia Maratona Gifu Seiryu, no domingo, seis dias depois de ganhar a mais tradicional maratona do mundo, porque ele adora correr.

 

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